É O QUÊ?

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Morar sozinho é…

Morar sozinho é: ter um vidro de shoyu na geladeira que venceu em 2008.

Morar sozinho é: ter 628 tupperwares da sua avó no armário que você nunca devolveu.

Morar sozinho é: ter que abrir e fechar o registro da privada toda hora porque ela disparou.

Morar sozinho é: não conseguir fechar a portinha do congelador de tanto gelo porque você não descongela a geladeira há tempos.

Morar sozinho é: ter uma vela enfeitando sua mesa de jantar há 5 anos, mas na verdade você nunca gostou dela.

Morar sozinho é: ficar sem abajur no quarto simplesmente por preguiça de comprar uma lâmpada nova.

Morar sozinho é: almoçar pepino, queijo e geleia.

Morar sozinho é: entrar no banho, descobrir que o sabonete acabou e ter que usar sabão de coco.

Morar sozinho é: queimar pipoca de micro-ondas.

Morar sozinho é: a persiana do quarto estar toda destruída e de manhã a luz do sol bater na sua cara.

Morar sozinho é: ter que usar escorredor de macarrão para fazer arroz.

Morar sozinho é: colar cartazes na parede para esconder que ela está suja (ou descascando).

Morar sozinho é: ter um fogão velho que solta gás e você precisar deixar o gás do apto desligado.

Morar sozinho é: ter um pequeno vazamento de água embaixo da pia e você fingir que ele não existe.

Morar sozinho é: deixar a louça suja por uma semana porque “a faxineira vem esse domingo”.

Morar sozinho é: comer sorvete na caneca.

Morar sozinho é: usar papel toalha como guardanapo.

Morar sozinho é: colocar 34 benjamins em uma tomada só e rezar para não dar curto-circuito.

Morar sozinho é: deixar a sala arrumada porém seu quarto estar a maior zona possível.

Morar sozinho é: usar garrafa de vodca para colocar água.

Morar sozinho é: ficar feliz quando tem nuggets para jantar.

Morar sozinho é: deixar a tv sempre ligada, mesmo que no mudo, para fazer companhia.

Morar sozinho é: a melhor coisa do mundo :)

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O desespero do restaurante por quilo

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A regra básica do restaurante por quilo é: comer tudo que você não come em casa. Assim como a regra do buffet livre: comer tudo – e repetir. Então, pode-se até pular a parte da salada se você for desses. Ou se você for das saladas, pega uma azeitona preta grega, uma mussarela de búfala, uma pêra com vinho ou uma salada de camarão.

Partiu para a junk food. Lógico que se tiver um bolinho de bacalhau, uma batata frita ou um nugget, você vai pegar. É a parte mais gostosa. Tenho certeza que você comeria um prato inteiro só com essas frituras. Mas tem que maneirar, porque não pega bem.

Aí você vai pra parte quente. Arroz de pato, bacalhau, medalhão de mignon, lasanha de salmão, enfim, todos aqueles pratos que você só encontra em restaurante. De acompanhamento, arroz à piamontese, batata rústica, um macarrão gratinado, tomate recheado…

Aí você passa por aquele peixe com uma cara ótima e pega. Passa na churrascaria, pega uma carninha, uma linguiça e coração – porque você ama coração. Passa ali pelo frango grelhado que tá com uma cara boa e pega, depois o peito de pato e o lombo de porco. Salmão, camarão, vaca, galinha, pato, porco. Seu prato parece um zoológico.

No final, você ainda dá aquela olhada, volta ali no tomate, pega mais um, pega um tiquinho de salpicão, porque a sua avó fazia um delicioso e você sentiu saudade, pega um ovinho de codorna, um pouquinho de tabule e corre pra balança pensando que se ainda sentir fome, dá pra pegar uns sushis ali no buffet japonês.

O preço do seu prato te assusta, assim como o tamanho (e a altura), e você senta num canto, meio isolado, para saborear o próprio desastre gastronômico.

Na primeira garfada, o coração de galinha já não parece tão apetitoso. A salada está com uma cara estranha e a batata frita está fria. Mas o que te resta, a não ser comer, não é mesmo?

Quando acaba, você se sente a pessoa mais obesa do mundo, toma um refrigerante, dá aquela respirada profunda e levanta para pagar. Mas, no meio do caminho, veja só, seu olhar esbarra no buffet de sobremesa e você parte para a ignorância: pega um pedaço de todas as tortas e doces. Menos as frutas, porque essas você tem em casa.

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Meu primeiro show do Caetano: “era assim que eu queria”

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Há dois meses comprei uma vitrola e comecei a ouvir uns discos antigos que tinham aqui em casa, herança da família. Entre muitos Chicos, Caetanos e Gils, teve um LP que não saiu da minha vitrola até hoje. Transa, do Caetano, de 1972, se tornou meu novo antigo vício. Sabe quando você já conhece uma banda ou um artista mas do nada se vê viciado nele de novo? Então, aconteceu isso com o Caetano.

Ao mesmo tempo, Abraçaço não saia do MP3 player. Comprei o CD meio cabreiro, já que não sou exatamente fã dos dois últimos CDs do Caetano, mas gostei muito de Abraçaço. E tenho ouvido diariamente. É Transa na vitrola e Abraçaço no fone de ouvido. Foi uma espécie de redescoberta do Caetano. E ao mesmo tempo uma felicidade em perceber que um LP lançado há mais de 40 anos é tão bom quanto um CD lançado em 2013. Caetano não ficou parado e evoluiu com os anos. E eu tive certeza: faria minha estreia em um show dele.

Do dia que anunciaram as datas dos shows no Circo Voador até domingo passado, 24 de março, dia para o qual eu tinha ingresso, a ansiedade só crescia. Estava em São Paulo quando as primeiras fotos do show de quinta (21/4), o primeiro da turnê, começaram a pipocar no Instagram. No dia seguinte li as críticas, todas elogiando o show.

No domingo, fui ao meu primeiro show do Caetano nos meus 23 anos de vida e não poderia ter tido uma ocasião melhor. Abraçaço lotou o Circo Voador, onde pessoas ficaram deitadas na escada, em pé em cima de cadeiras, agarradas às pilastras da lona da Lapa e penduradas por onde quer que tivesse uma fresta de Caetano.

O atraso de apenas 10 minutos (nos outros dias a média tinha sido meia hora) agitou o público que se apertou para cantar em coro a música que abre a apresentação e dá nome ao CD. A Bossa Nova É Foda veio em seguida e manteve os jovens e os não tão jovens assim, cantando juntos.

Na música Parabéns, com seu refrão explosivo (“Tudo mega bom, giga bom, tera bom”), Caetano dançou pelo palco, cumprimentou o público e desabotoou a camisa, para delírio do Circo. Triste Bahia, do LP Transa, entrou no setlist e gerou um misto de euforia e emoção por causa da letra marcante.

Dona Canô foi aplaudida quando citada na música Reconvexo. As clássicas Eclipse Oculto e Você Não Entende Nada tornaram o Circo em um grande baile. Os sortudos da noite ainda puderam ouvir todas as faixas do CD Abraçaço, depois de uma confusão que o próprio Caetano assumiu ter cometido: “Era para cantar Gayana em um dia, e Vinco em outro. Mas já tinha cantado Vinco e agora cantei Gayana”, disse rindo.

Quando precisou, em músicas como Funk Melódico e Alexandre, o cantor usou uma “cola” para não erras nas letras. Já no bis, cantou Índio pela primeira vez na turnê como forma de homenagear os índios da Aldeia Maracanã - para alegria dos mais políticos, que gritaram em prol dos indígenas.

Antes de encerrar a noite ao som de A Luz de Tieta, Caetano falou para a plateia, que a uma hora dessas já estava fervendo: “Era assim que eu queria”, seguido de aplausos e gritos. Era assim que nós queríamos, Caetano. Era exatamente assim que eu queria. Obrigado.

(Texto escrito para a coluna da Heloisa Tolipan)

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“É da Globo? É do RJTV? Me filma”

Por conta de um trabalho grande que fiz agora em fevereiro, rodei por vários cantos do Rio fotografando. Da Dias Ferreira, no Leblon, a Cidade de Deus, passando por Vila Isabel, Madureira, Anchieta e Campo Grande. 

Nesses passeios pelo Rio, foi curioso perceber como as pessoas me viam e me abordavam. Praticamente em todos os lugares que fotografei na Zona Norte, ouvi: “é da Globo? Me filma!”. Uns perguntavam se eu era do RJTV, queriam contar causos e reclamar dos problemas do bairro. Para eles não fazia diferença se o que estava na minha mão era uma câmera fotográfica ou uma câmera de filmar - na verdade eles não sabiam a diferença.

Por outro lado, os moradores da Zona Sul sabem bem distinguir as câmeras. Quando estava fotografando, sempre tinha alguém fugindo. Era só levantar a câmera que um se jogava para o lado para não aparecer e o outro colocava a mão no rosto. E na maioria das vezes eu nem estava clicando as pessoas.

Na Dias Ferreira, um porteiro achou que eu fosse paparazzi e perguntou qual era a celebridade que eu estava fotografando. No Parque Madureira (uma espécie de Aterro do Flamengo do bairro, uma área sensacional) as crianças que brincavam no chafariz posavam e pediam fotos. As mães ajeitavam os cabelos e arrumavam a roupa para sair na foto - mesmo que a lente tivesse na direção contrária.

Em um dia que Campo Grande parecia estar beirando os 50º C (parece que no verão todos os dias por lá são assim), uma senhora abriu a porta de casa para oferecer sombra e água gelada para a nossa equipe. Em cinco minutos de papo, contou toda a história da vida dela. Em Ipanema, uma moça veio reclamar por eu estar fotografando as pessoas passando na calçada. Na Central do Brasil fiz amizade com um mendigo que me deu dicas de bons pontos para fazer fotos.

Na Zona Sul as pessoas se escondem. Não querem papo, passam reto quando você chega perto para conversar. No Subúrbio é o contrário. Elas querem aparecer, querem falar, se sentem valorizadas com a presença da câmera e com a possibilidade da imagem delas ser vista por outras pessoas.

Não precisa nem perguntar qual dos dois lugares foi mais divertido de fotografar, né?

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Se o Oscar fosse meu…

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Estava há muito tempo desatualizado desse mundo cinematográfico, vi que o Oscar estava chegando e resolvi fazer uma maratona para assistir a todos os filmes que estão concorrendo ao prêmio de melhor filme - para não ficar muito por fora, né. Aqui, mais ou menos, o que eu achei sobre cada um.



Argo

Achei bom. Cinemão pipoca, cheio dos clichês. Não acho Ben Affleck todo esse gênio que estão dizendo por aí, nem como ator nem como diretor, mas ele está bem no filme. Acho que a história do resgate dos americanos no Irã já é super cinematográfica, independente dos Ben Afflecks da vida. Mas mérito dele que soube transformar a (boa) história em (bom) entretenimento.



Django Livre

Adorei. Prato cheio pra quem curte Tarantino. O elenco do filme é muito bom. Christoph Waltz é sensacional, um dos meus atores favoritos do momento. Grande concorrente ao Oscar. Acho o filme excelente, mas comparado aos outros não sei se tem força para ganhar.



Lincoln

O problema de Lincoln (além da chatice e das 2h30 de filme), na minha opinião, é que ele trata sobre a abolição da escravatura dos EUA e como foram as politicagens para que ela fosse concluída. Lincoln não me pareceu exatamente o foco do filme. Poderia ser mais clichê (ou tosco), mas talvez um filme contando a história do político fosse mais interessante (para o mundo) do que contar sobre a abolição nos Estados Unidos. Daniel Day-Lewis está sensacional no papel principal e merece levar o Oscar de melhor ator. Trabalho impecável.



A Hora Mais Escura

Era o meu preferido. Achei Guerra Ao Terror, o último filme da Kathryn Bigelow (ex-mulher do James Cameron), bem chatinho e não dava nada por esse, mas me surpreendi muito. Direção foda (acho muito errado que a Kathryn nem esteja concorrendo a melhor direção), fotografia muito boa e Jessica Chastain ótima no papel principal. Ela também era a minha preferida para o Oscar de melhor atriz, mas… 



Indomável Sonhadora

…mas aí eu assisti Indomável Sonhadora. Uau, que filme. Há muito tempo não me envolvia e me emocionava tanto com uma história. Nem vale a pena contar nada sobre o longa. Eu tenho essa mania de ver o filme sem ter lido uma linha sobre ele e esse é um dos que vale a pena fazer isso. O filme é tão bem trabalhado que é importante assistir “cru”, para você ir tomando “as porradas” sem estar preparado. Eu ia gostar muito se levasse o Oscar, mas acho difícil. E, apesar dos nove anos, Quvenzhané Wallis é surreal. Minha favorita ao Oscar de melhor atriz. Sem dúvida.



Os Miseráveis

Produção fantástica: cenografia, figurinos, maquiagens, etc, tudo perfeito. A história também é ótima e os atores, então, nem se fala (destaque para o Sasha Baron Cohen e Helena Bonham Carter). Mas é um filme 100% cantado. Eu sei que é um musical, eu até curto musicais, mas não quando eles não tem nenhum diálogo normal, que não seja cantado. Dá vontade de ouvir a pessoa falar, dá agonia aquele povo cantando e chorando (só sofrimento esse filme) o tempo inteiro. Definitivamente, não é o meu tipo de filme, mas sei que é uma puta produção.



O Lado Bom da Vida

Então, achei O Lado Bom da Vida legal, mas ponto final. Dar o Oscar de melhor atriz para Jennifer Lawrence por esse papel acho puxado. Tudo bem que ela é ótima, que é a nova queridinha de Hollywood, que rasgou o vestido e não pagou mico, mas por esse filme não acho que merece. Me lembrou muito o Como Se Fosse a Primeira Vez, com o Adam Sandler e a Drew Barrymore, pelo roteiro e pela linha narrativa do filme. Mas é divertidinho, bonitinho, comédia-dramática-romanticazinha.



Amor

Podem me chamar de insensível, mas nenhuma lágrima sequer teve vontade de cair quando assisti. Não sei se eu não estava no mood no dia, mas não achei nada demais o filme. O roteiro é super previsível e o ritmo é bem lento. Mas os atores são muito, muito bons. A Emmanuelle Riva dá um show, sem dúvida, mas o grande destaque do filme pra mim é o ator francês Jean-Louis Trintignant, que faz o marido. Como ele está bem no filme, impressionante. E não foi indicado nem como melhor ator nem como coadjuvante - acho que a atuação dele foi muito superior a do Alan Arkin, que está concorrendo a ator coadjuvante por Argo, por exemplo.



As Aventuras de Pi

Adorei Life of Pi. Que filme bonito! O negócio é entrar na fantasia do filme e não ligar para os chroma keys toscos, que não fazem diferença no roteiro incrível do filme. A única coisa que não curti mesmo foi a escolha daquele ator loiro para ser o interlocutor do Pi. Achei ele bem fraco e, no meu ponto de vista, foi desnecessário eles colocarem um cara bonitão para fazer esse papel. O foco da história é o Pi contando sobre suas aventuras e não um ator com cara de galã berlinense hipster fazendo caras e bocas.




Minhas apostas para os prêmios principais:


Melhor filme
:
Lincoln (mas acho Indomável Sonhadora, As Aventuras de Pi, A Hora Mais Escura melhores)

Melhor ator:
Daniel Day-Lewis (merece!)

Melhor atriz:
Jennifer Lawrence (se eu pudesse escolher, daria para Quvenzhané Wallis, claro)

Melhor ator coadjuvante:
Christoph Waltz (eu ficaria entre ele e o Tommy Lee Jones)

Melhor atriz coadjuvante:
Anne Hathaway (acho que ela leva, apesar de eu não ter achado ninguém que está concorrendo sensacional)

Melhor diretor:
Steven Spielberg (Kathryn Bigelow nem está concorrendo, mas acho que merecia esse Oscar)

Melhor roteiro original:
Quentin Tarantino - Django Livre (merece!)

Melhor roteiro adaptado:
Tony Kushner - Lincoln (se o Oscar fosse meu, Lucy Alibar e Benh Zeitlin, de Indomável Sonhadora, levavam)

Melhor trilha sonora original:
007 - Operação Skyfall (mas eu queria que As Aventuras de Pi ganhasse)



*Os pôsteres que ilustram esse post foram criados pelo designer inglês Dean Walton e podem ser comprados no site dele.

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Olimpíadas: os modos ingleses


No geral, o povo inglês parece uma criança na festa do amiguinho. Tímido, chega em silêncio, senta numa cadeira no canto e não se entrosa com os amigos. Quando o garçom passa oferecendo salgadinho, é muito educado e não aceita.

Os ingleses são conhecidos por serem extremamente na deles, frios e sem grandes demonstrações de emoção. E quando você chega aqui é que percebe que isso tudo não é exagero, eles de fato são assim. Outro dia até ouvi uma brasileira reclamando da falta de assobios safadinhos na rua.

No sábado passado eu ganhei convite para assistir as provas de atletismo e, nem sabia, mas estava indo assistir a final de três grandes esportes onde os ingleses eram os favoritos. Jessica Ennis, no heptatlo, Greg Rutherford, no salto em distância, e Mo Farah, nos 10.000m, levaram ouro.

Quando me vi dentro do Estádio Olímpico ao lado de 80 mil pessoas (os ingressos estavam esgotados!), 90% ingleses, percebi que eles estavam diferentes. As três finais aconteceram em menos de uma hora e foram três ouros para o Team GB, como eles chamam os atletas da Grã-Bretanha.

As três comemorações entusiasmadas deixaram os ingleses loucos. Parecia final de Copa do Mundo. Eles se abraçavam sorridentes, como no reveillon, sacudiam bandeiras e gritavam. Foi muito legal. E teve até inglês vindo puxar assunto, ato pra lá de raro nessas terras.

A euforia durou até a entrega das medalhas. Quando acabou, eles saíram do estádio civilizadamente, sem muita gritaria, pegaram o metrô tranquilamente e foram para casa - porque os pubs já estavam fechados.

Parecia que aquela criancinha da festa tinha ouvido a sua música favorita, pulou da cadeira, foi para o meio do playground e começou a dançar sem nenhuma preocupação. Quando acabou, arrumou o salão, ajeitou a camisa, penteou o cabelo e voltou para a cadeira, no canto do salão.

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Olimpíadas: os extremos chineses



A China é sensação nas olimpíadas. Já esta com 17 medalhas de ouro com uma semana de jogos olímpicos. Sem dúvida, é uma das principais potências esportivas do mundo. Mas uma notícia não tão boa chamou atenção por aqui. 

Foi o caso polêmico das quatro duplas de badminton que, já classificadas para a próxima fase do campeonato, forçaram erros constrangedores. Dessas oito atletas, duas eram da Indonésia, quatro eram da Coreia do Sul e duas eram chinesas - as atuais campeãs mundiais.

O público, quando percebeu que as atletas estavam tentando perder de propósito para não enfrentar rivais mais fortes, se revoltou - com razão - e começou a vaiar. As atletas foram punidas pelo Comitê Olímpico Internacional e eliminadas da Olimpíada de Londres. 

Uma das duas chinesas, a Yu Yang, anunciou na noite de quarta na internet que estava desistindo do esporte. “Essa é a minha última competição. Adeus badminton”, e completou dizendo que os seus sonhos tinham sido destruídos.

O sonhos da chinesa só se esqueceram de uma cláusula na carta olímpica onde diz que os atletas precisam fazer seus melhores esforços para ganhar. Parece que esforço é com a China mesmo. Até perder para ganhar está valendo.

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Olimpíadas: a pressão em Tom Daley



Thomas Daley é um case de sucesso. O menino dos saltos ornamentais de 17 anos foi o mais jovem britânico a participar de uma Olimpíada, em Pequim, aos 14 anos.

Aposta do seu país para conquistar a primeira medalha de ouro para os britânicos, Tom e seu parceiro Peter Waterfield falharam ontem (30/07) no salto. Ficaram em quarto lugar, por conta de um erro de Waterfield. Os ingleses ficaram muito desapontados, como nós ficamos com nossa ginástica olímpica.

O fato é que Tom é uma sensação por aqui. Escolhido para estampar campanhas publicitárias e tema de documentário da BBC, ele é um ídolo teen. Participa de projetos de caridade e é visto como exemplo de bom menino. Andando pelas ruas de Londres é muito provável que você encontre uma foto do moleque em outdoors e pontos de ônibus.

Além disso tudo, Tom perdeu o pai ano passado, com apenas 40 anos, vítima de um câncer no cérebro, e prometia a medalha em Londres2012 como forma de homenagear o pai.

Tom ainda tem chance de fazê-lo, sexta-feira no salto individual. E os ingleses estão ansiosos por medalhas. Agora, além de vencer os adversários, ele precisa vencer a pressão que o país inteiro colocou em seus ombros. 

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Falando em silêncio com Dexter

Estou assistindo todas as temporadas de Dexter. A série, passada em Miami, fala sobre um serial killer “do bem” e sua necessidade de matar, de se encaixar na sociedade e de se manter em segredo.

São seis temporadas, eu ainda preciso assistir a última, mas estou viciado desde a primeira. Aproveitando o momento “pare de gastar dinheiro, Lucas”, tenho ficado em casa assistindo um episódio atrás do outro e cada episódio que passa eu gosto mais do Dexter.

O personagem é super bem desenvolvido, a história é muito bem feita, os atores são ótimos (os personagens também), a fotografia é meio exagerada, mas ajuda no contexto “Miamiano” de ser. Poderia escrever muita coisa sobre a série e sobre a grandeza do personagem, mas uma coisa que tem me chamado muito a atenção são as nossas vozes internas.

Todo mundo fala sozinho dentro da cabeça sem, de fato, falar. A gente faz isso com tanta frequência que nem percebemos mais. E assistir Dexter me fez reparar nessa voz. São comentários, pensamentos, planos e desabafos que guardamos para nós, mas que precisam ser ditos - ou pensados - em silêncio.

Do mais comum “ih, preciso ir no supermercado” ao mais abusado “oi, eu namoraria com você”, acho que essas frases soltas são importantes para a gente. E na série mostra bem isso. Por ser um assassino, Dexter não pode falar o que pensa, mas a série mostra esses pensamentos, narrados pelo próprio ator, como se estivesse conversando com os espectadores. É genial. Tudo bem que o Dexter tem muito mais motivos para falar em silêncio do que nós, mas rola uma identificação.

E aí eu comecei a prestar mais atenção nessas vozes. É interessante que nossa cabeça fala sem mesmo a gente querer, é automático. E eu nunca tinha visto um programa ou filme mostrar isso tão bem como Dexter faz. Por exemplo, alguém pergunta para o Dexter: “o que você vai fazer hoje?”, no espaço de tempo entre a pergunta e a resposta, nós ouvimos ele responder “matar uma pessoa, me livrar do corpo, plantar provas e limpar a cena do crime”, e em seguida ele responde em voz alta “nada, só jantar e dormir”.

Outra coisa interessante da série é o alter ego do assassino. Harry, o falecido pai de Dexter e a pessoa que o ensinou como controlar sua vontade de matar, sempre aparece numa espécie de flashback em momentos de crise do rapaz. Harry cumpre a função de ser racional, de sempre puxar o filho para a praticidade e não deixar o cara pirar, e o Dexter quer sempre agir com a emoção. É como se o pai fosse o anjinho e o filho o diabinho.

O mais legal disso tudo é perceber que Harry é só uma ilusão, é o próprio Dexter que está “conversando” com ele mesmo. Ele precisa desse alter ego para equilibrar as coisas e agir com sabedoria (nem sempre).

Enfim, a cada dia que passa eu tô gostando mais da série e admirando o personagem. “Como ele é maneiro e correto!”, ouço a minha voz interna dizer. Por mais estranho que todas essas coisas possam parecer.

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Semanas de moda e a falta de respeito

Sempre que passa um Fashion Rio e um SPFW me dá vontade de escrever sobre as semanas de moda. Mas nunca sei o que falar exatamente e tudo o que eu gostaria de dizer já foi dito. Além da preguiça de relembrar a semana que a gente quer mais esquecer, de tão cansativa que é. Mas dessa vez não vai passar - e eu nem vou falar sobre moda em si.

Na verdade o que tem me impressionado cada vez mais nas fashion weeks da vida é a falta de respeito. Da menor atitude como a simples entrada no evento às maiores atrações do dia, os desfiles: onde foi parar o respeito?

A começar pelos seguranças. Ter nas mãos o “poder” do entra/não entra deixa - alguns - caras malucos. Querem pegar na sua credencial sem pedir, agem com grosseria e, principalmente, com ignorância. Raras são as exceções, como o Donizete, o segurança mais gente boa que conheço, que controla os fotógrafos dentro da sala de desfile.

Outro povo que também sofre da síndrome do pequeno poder são os assessores de imprensa. Ainda mais inaceitável, já que são pessoas que, mal ou bem, são “colegas” de trabalho. Lógico que não são todos, na verdade é uma minoria, mas quem age assim só atrapalha e dificulta o trabalho das pessoas. E, depois que a semana de moda acaba, eles mandam emails super simpáticos. Vá entender.

Outra falta de respeito que incomoda todo mundo é o atraso dos desfiles. Já desisti de tentar entender o porquê de tanto atraso. Alguns demoram “só” 30 minutos para começar, mas tem desfile que atrasa mais de 1h30. Enquanto isso, todo mundo espera: os fotógrafos do PIT, os convidados, os funcionários da sala de desfile…

O último desfile do Herchcovitch feminino, semana passada na SPFW, atrasou mais ou menos 1h30. Todo mundo sentado, todos os fotógrafos posicionados, ninguém na passarela, tudo parecia pronto para começar, mas nada do desfile. A chefe de redação da Elle chegou até a bater palma, mas ninguém acompanhou. Não sei se foi vergonha desse povo que é mais preocupado com que os outros vão achar do que com qualquer outra coisa, mas Lenita bateu palma sozinha, e o desfile demorou mais um tempão para começar. E quando começa dura menos de 15 minutos, né?

E quando os desfiles terminam e as pessoas (principalmente as da fila A) levantam antes de as modelos saírem da passarela? O estilista fica seis meses fazendo a coleção, apresenta tudo em menos de 15 minutos e as pessoas não tem o respeito de esperar a última modelo sair da passarela e já saem correndo da sala ainda com a luz apagada. Não dá pra entender, sinceramente.

Enfim, a rabugice ainda é resquício de cansaço do trabalho exaustivo da semana de moda, juro que passa. Pelo menos até outubro…

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