<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" version="2.0"><channel><atom:link rel="hub" href="http://tumblr.superfeedr.com/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"/><description>lucas landau. 
sou fotógrafo, mas também escrevo.sou carioca, mas também curto são paulo.
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@email me</description><title>É O QUÊ?</title><generator>Tumblr (3.0; @eoque)</generator><link>http://eoque.tumblr.com/</link><item><title>Morar sozinho é...</title><description>&lt;p&gt;&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: ter um vidro de shoyu na geladeira que venceu em 2008.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p2"&gt;Morar sozinho é: ter 628 tupperwares da sua avó no armário que você nunca devolveu.&lt;/p&gt;
&lt;p class="p2"&gt;Morar sozinho é: ter que abrir e fechar o registro da privada toda hora porque ela disparou.&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: não conseguir fechar a portinha do congelador de tanto gelo porque você não descongela a geladeira há tempos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: ter uma vela enfeitando sua mesa de jantar há 5 anos, mas na verdade você nunca gostou dela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: ficar sem abajur no quarto simplesmente por preguiça de comprar uma lâmpada nova.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;Morar sozinho é: almoçar pepino, queijo e geleia.&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: entrar no banho, descobrir que o sabonete acabou e ter que usar sabão de coco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: queimar pipoca de micro-ondas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: a persiana do quarto estar toda destruída e de manhã a luz do sol bater na sua cara.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p2"&gt;Morar sozinho é: ter que usar escorredor de macarrão para fazer arroz.&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: colar cartazes na parede para esconder que ela está suja (ou descascando).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: ter um fogão velho que solta gás e você precisar deixar o gás do apto desligado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: ter um pequeno vazamento de água embaixo da pia e você fingir que ele não existe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: deixar a louça suja por uma semana porque &amp;#8220;a faxineira vem esse domingo&amp;#8221;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p2"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: comer sorvete na caneca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: usar papel toalha como guardanapo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: colocar 34 benjamins em uma tomada só e rezar para não dar curto-circuito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: deixar a sala arrumada porém seu quarto estar a maior zona possível.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: usar garrafa de vodca para colocar água.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: ficar feliz quando tem nuggets para jantar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;Morar sozinho é: deixar a tv sempre ligada, mesmo que no mudo, para fazer companhia.&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&lt;span&gt;Morar sozinho é: a melhor coisa do mundo :)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/51168419421</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/51168419421</guid><pubDate>Thu, 23 May 2013 17:11:00 -0300</pubDate><category>crônica</category><category>depoimento</category><category>morarsozinho</category><category>apartamento</category><category>forevisalonis</category><category>vidaadulta</category><category>numtáfácil</category></item><item><title>O desespero do restaurante por quilo</title><description>&lt;p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;img alt="image" height="471" src="http://media.tumblr.com/tumblr_m165xzYGXY1qaj1d6.jpg" width="471"/&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;A regra básica do restaurante por quilo é: comer tudo que você não come em casa. Assim como a regra do buffet livre: comer tudo – e repetir. Então, pode-se até pular a parte da salada se você for desses. Ou se você for das saladas, pega uma azeitona preta grega, uma mussarela de búfala, uma pêra com vinho ou uma salada de camarão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Partiu para a junk food. Lógico que se tiver um bolinho de bacalhau, uma batata frita ou um nugget, você vai pegar. É a parte mais gostosa. Tenho certeza que você comeria um prato inteiro só com essas frituras. Mas tem que maneirar, porque não pega bem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Aí você vai pra parte quente. Arroz de pato, bacalhau, medalhão de mignon, lasanha de salmão, enfim, todos aqueles pratos que você só encontra em restaurante. De acompanhamento, arroz à piamontese, batata rústica, um macarrão gratinado, tomate recheado&amp;#8230;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Aí você passa por aquele peixe com uma cara ótima e pega. Passa na churrascaria, pega uma carninha, uma linguiça e coração – porque você ama coração. Passa ali pelo frango grelhado que tá com uma cara boa e pega, depois o peito de pato e o lombo de porco. Salmão, camarão, vaca, galinha, pato, porco. Seu prato parece um zoológico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;No final, você ainda dá aquela olhada, volta ali no tomate, pega mais um, pega um tiquinho de salpicão, porque a sua avó fazia um delicioso e você sentiu saudade, pega um ovinho de codorna, um pouquinho de tabule e corre pra balança pensando que se ainda sentir fome, dá pra pegar uns sushis ali no buffet japonês. &lt;br/&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O preço do seu prato te assusta, assim como o tamanho (e a altura), e você senta num canto, meio isolado, para saborear o próprio desastre gastronômico. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Na primeira garfada, o coração de galinha já não parece tão apetitoso. A salada está com uma cara estranha e a batata frita está fria. Mas o que te resta, a não ser comer, não é mesmo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Quando acaba, você se sente a pessoa mais obesa do mundo, toma um refrigerante, dá aquela respirada profunda e levanta para pagar. Mas, no meio do caminho, veja só, seu olhar esbarra no buffet de sobremesa e você parte para a ignorância: pega um pedaço de todas as tortas e doces. Menos as frutas, porque essas você tem em casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/47739458372</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/47739458372</guid><pubDate>Thu, 11 Apr 2013 21:05:00 -0300</pubDate><category>crônica</category><category>depoimento</category><category>comida</category><category>restaurante</category><category>a quilo</category><category>gordice</category><category>gula</category></item><item><title>Meu primeiro show do Caetano: "era assim que eu queria"</title><description>&lt;p&gt;&lt;img alt="image" src="http://media.tumblr.com/e2b0517c158111f725f30cb404c7b83a/tumblr_inline_mk950v05Qz1qz4rgp.jpg"/&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;br/&gt;Há dois meses comprei uma vitrola e comecei a ouvir uns discos antigos que tinham aqui em casa, herança da família. Entre muitos Chicos, Caetanos e Gils, teve um LP que não saiu da minha vitrola até hoje. Transa, do Caetano, de 1972, se tornou meu novo antigo vício. Sabe quando você já conhece uma banda ou um artista mas do nada se vê viciado nele de novo? Então, aconteceu isso com o Caetano.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, Abraçaço não saia do MP3 player. Comprei o CD meio cabreiro, já que não sou exatamente fã dos dois últimos CDs do Caetano, mas gostei muito de Abraçaço. E tenho ouvido diariamente. É Transa na vitrola e Abraçaço no fone de ouvido. Foi uma espécie de redescoberta do Caetano. E ao mesmo tempo uma felicidade em perceber que um LP lançado há mais de 40 anos é tão bom quanto um CD lançado em 2013. Caetano não ficou parado e evoluiu com os anos. E eu tive certeza: faria minha estreia em um show dele.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Do dia que anunciaram as datas dos shows no Circo Voador até domingo passado, 24 de março, dia para o qual eu tinha ingresso, a ansiedade só crescia. Estava em São Paulo quando as primeiras fotos do show de quinta (21/4), o primeiro da turnê, começaram a pipocar no Instagram. No dia seguinte li as críticas, todas elogiando o show.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No domingo, fui ao meu primeiro show do Caetano nos meus 23 anos de vida e não poderia ter tido uma ocasião melhor. Abraçaço lotou o Circo Voador, onde pessoas ficaram deitadas na escada, em pé em cima de cadeiras, agarradas às pilastras da lona da Lapa e penduradas por onde quer que tivesse uma fresta de Caetano.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O atraso de apenas 10 minutos (nos outros dias a média tinha sido meia hora) agitou o público que se apertou para cantar em coro a música que abre a apresentação e dá nome ao CD. A Bossa Nova É Foda veio em seguida e manteve os jovens e os não tão jovens assim, cantando juntos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na música Parabéns, com seu refrão explosivo (&amp;#8220;Tudo mega bom, giga bom, tera bom&amp;#8221;), Caetano dançou pelo palco, cumprimentou o público e desabotoou a camisa, para delírio do Circo. Triste Bahia, do LP Transa, entrou no setlist e gerou um misto de euforia e emoção por causa da letra marcante.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dona Canô foi aplaudida quando citada na música Reconvexo. As clássicas Eclipse Oculto e Você Não Entende Nada tornaram o Circo em um grande baile. Os sortudos da noite ainda puderam ouvir todas as faixas do CD Abraçaço, depois de uma confusão que o próprio Caetano assumiu ter cometido: &amp;#8220;Era para cantar Gayana em um dia, e Vinco em outro. Mas já tinha cantado Vinco e agora cantei Gayana&amp;#8221;, disse rindo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando precisou, em músicas como Funk Melódico e Alexandre, o cantor usou uma &amp;#8220;cola&amp;#8221; para não erras nas letras. Já no bis, cantou Índio pela primeira vez na turnê como forma de homenagear os índios da Aldeia Maracanã - para alegria dos mais políticos, que gritaram em prol dos indígenas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Antes de encerrar a noite ao som de A Luz de Tieta, Caetano falou para a plateia, que a uma hora dessas já estava fervendo: &amp;#8220;Era assim que eu queria&amp;#8221;, seguido de aplausos e gritos. Era assim que nós queríamos, Caetano. Era exatamente assim que eu queria. Obrigado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;(Texto escrito para a &lt;a href="http://www.jb.com.br/heloisa-tolipan/noticias/2013/03/26/qual-a-impressao-de-um-jovem-no-seu-primeiro-show-de-caetano-veloso/" target="_blank"&gt;coluna da Heloisa Tolipan&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/46390755507</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/46390755507</guid><pubDate>Tue, 26 Mar 2013 23:39:00 -0300</pubDate><category>caetanoveloso</category><category>circovoador</category><category>show</category><category>crônica</category><category>depoimento</category><category>abraçaço</category><category>cvnocv</category></item><item><title>"É da Globo? É do RJTV? Me filma"</title><description>&lt;p&gt;&lt;p class="p1"&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/b6eb997edaa05f75d91e27219251da5f/tumblr_inline_mj97tiGa9b1qz4rgp.jpg"/&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="p1"&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;Por conta de um trabalho grande que fiz agora em fevereiro, rodei por vários cantos do Rio fotografando. Da Dias Ferreira, no Leblon, a Cidade de Deus, passando por Vila Isabel, Madureira, Anchieta e Campo Grande. &lt;/p&gt;

&lt;p class="p1"&gt;Nesses passeios pelo Rio, foi curioso perceber como as pessoas me viam e me abordavam. Praticamente em todos os lugares que fotografei na Zona Norte, ouvi: &amp;#8220;é da Globo? Me filma!&amp;#8221;. Uns perguntavam se eu era do RJTV, queriam contar causos e reclamar dos problemas do bairro. Para eles não fazia diferença se o que estava na minha mão era uma câmera fotográfica ou uma câmera de filmar - na verdade eles não sabiam a diferença.&lt;/p&gt;

&lt;p class="p1"&gt;Por outro lado, os moradores da Zona Sul sabem bem distinguir as câmeras. Quando estava fotografando, sempre tinha alguém fugindo. Era só levantar a câmera que um se jogava para o lado para não aparecer e o outro colocava a mão no rosto. E na maioria das vezes eu nem estava clicando as pessoas.&lt;/p&gt;

&lt;p class="p1"&gt;Na Dias Ferreira, um porteiro achou que eu fosse paparazzi e perguntou qual era a celebridade que eu estava fotografando. No Parque Madureira (uma espécie de Aterro do Flamengo do bairro, uma área sensacional) as crianças que brincavam no chafariz posavam e pediam fotos. As mães ajeitavam os cabelos e arrumavam a roupa para sair na foto - mesmo que a lente tivesse na direção contrária.&lt;/p&gt;

&lt;p class="p1"&gt;Em um dia que Campo Grande parecia estar beirando os 50º C (parece que no verão todos os dias por lá são assim), uma senhora abriu a porta de casa para oferecer sombra e água gelada para a nossa equipe. Em cinco minutos de papo, contou toda a história da vida dela. Em Ipanema, uma moça veio reclamar por eu estar fotografando as pessoas passando na calçada. Na Central do Brasil fiz amizade com um mendigo que me deu dicas de bons pontos para fazer fotos.&lt;/p&gt;

&lt;p class="p1"&gt;Na Zona Sul as pessoas se escondem. Não querem papo, passam reto quando você chega perto para conversar. No Subúrbio é o contrário. Elas querem aparecer, querem falar, se sentem valorizadas com a presença da câmera e com a possibilidade da imagem delas ser vista por outras pessoas.&lt;/p&gt;

&lt;p class="p1"&gt;Não precisa nem perguntar qual dos dois lugares foi mais divertido de fotografar, né?&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/44722429525</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/44722429525</guid><pubDate>Wed, 06 Mar 2013 15:43:20 -0400</pubDate><category>crônica</category><category>depoimento</category><category>rio de janeiro</category><category>fotografia</category><category>zona sul</category><category>zona norte</category></item><item><title>Se o Oscar fosse meu...</title><description>&lt;p class="p1"&gt;&lt;img alt="image" src="http://media.tumblr.com/b0a7b9e2ea1f6f45f4a0dd70f74f906b/tumblr_inline_mhrcn96L3N1qz4rgp.jpg"/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;Estava há muito tempo desatualizado desse mundo cinematográfico, vi que o Oscar estava chegando e resolvi fazer uma maratona para assistir a todos os filmes que estão concorrendo ao prêmio de melhor filme - para não ficar muito por fora, né. Aqui, mais ou menos, o que eu achei sobre cada um.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Argo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;Achei bom. Cinemão pipoca, cheio dos clichês. Não acho Ben Affleck todo esse gênio que estão dizendo por aí, nem como ator nem como diretor, mas ele está bem no filme. Acho que a história do resgate dos americanos no Irã já é super cinematográfica, independente dos Ben Afflecks da vida. Mas mérito dele que soube transformar a (boa) história em (bom) entretenimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Django Livre&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Adorei. Prato cheio pra quem curte Tarantino. O elenco do filme é muito bom. Christoph Waltz é sensacional, um dos meus atores favoritos do momento. Grande concorrente ao Oscar. Acho o filme excelente, mas comparado aos outros não sei se tem força para ganhar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Lincoln&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O problema de &lt;em&gt;Lincoln &lt;/em&gt;(além da chatice e das 2h30 de filme), na minha opinião, é que ele trata sobre a abolição da escravatura dos EUA e como foram as politicagens para que ela fosse concluída. Lincoln não me pareceu exatamente o foco do filme. Poderia ser mais clichê (ou tosco), mas talvez um filme contando a história do político fosse mais interessante (para o mundo) do que contar sobre a abolição nos Estados Unidos. Daniel Day-Lewis está sensacional no papel principal e merece levar o Oscar de melhor ator. Trabalho impecável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Hora Mais Escura&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Era o meu preferido. Achei &lt;em&gt;Guerra Ao Terror&lt;/em&gt;, o último filme da Kathryn Bigelow (ex-mulher do James Cameron), bem chatinho e não dava nada por esse, mas me surpreendi muito. Direção foda (acho muito errado que a Kathryn nem esteja concorrendo a melhor direção), fotografia muito boa e Jessica Chastain ótima no papel principal. Ela também era a minha preferida para o Oscar de melhor atriz, mas… &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Indomável Sonhadora&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;…mas aí eu assisti&lt;em&gt; Indomável Sonhadora&lt;/em&gt;. Uau, que filme. Há muito tempo não me envolvia e me emocionava tanto com uma história. Nem vale a pena contar nada sobre o longa. Eu tenho essa mania de ver o filme sem ter lido uma linha sobre ele e esse é um dos que vale a pena fazer isso. O filme é tão bem trabalhado que é importante assistir &amp;#8220;cru&amp;#8221;, para você ir tomando &amp;#8220;as porradas&amp;#8221; sem estar preparado. Eu ia gostar muito se levasse o Oscar, mas acho difícil. E, apesar dos nove anos, Quvenzhané Wallis é surreal. Minha favorita ao Oscar de melhor atriz. Sem dúvida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os Miseráveis&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Produção fantástica: cenografia, figurinos, maquiagens, etc, tudo perfeito. A história também é ótima e os atores, então, nem se fala (destaque para o Sasha Baron Cohen e Helena Bonham Carter). Mas é um filme 100% cantado. Eu sei que é um musical, eu até curto musicais, mas não quando eles não tem nenhum diálogo normal, que não seja cantado. Dá vontade de ouvir a pessoa falar, dá agonia aquele povo cantando e chorando (só sofrimento esse filme) o tempo inteiro. Definitivamente, não é o meu tipo de filme, mas sei que é uma puta produção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O Lado Bom da Vida&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Então, achei &lt;em&gt;O Lado Bom da Vida &lt;/em&gt;legal, mas ponto final. Dar o Oscar de melhor atriz para Jennifer Lawrence por esse papel acho puxado. Tudo bem que ela é ótima, que é a nova queridinha de Hollywood, que rasgou o vestido e não pagou mico, mas por esse filme não acho que merece. Me lembrou muito o &lt;em&gt;Como Se Fosse a Primeira Vez&lt;/em&gt;, com o Adam Sandler e a Drew Barrymore, pelo roteiro e pela linha narrativa do filme. Mas é divertidinho, bonitinho, comédia-dramática-romanticazinha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Amor&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Podem me chamar de insensível, mas nenhuma lágrima sequer teve vontade de cair quando assisti. Não sei se eu não estava no &lt;em&gt;mood&lt;/em&gt; no dia, mas não achei nada demais o filme. O roteiro é super previsível e o ritmo é bem lento. Mas os atores são muito, muito bons. A Emmanuelle Riva dá um show, sem dúvida, mas o grande destaque do filme pra mim é o ator francês Jean-Louis Trintignant, que faz o marido. Como ele está bem no filme, impressionante. E não foi indicado nem como melhor ator nem como coadjuvante - acho que a atuação dele foi muito superior a do Alan Arkin, que está concorrendo a ator coadjuvante por &lt;em&gt;Argo&lt;/em&gt;, por exemplo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As Aventuras de Pi&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;Adorei &lt;em&gt;Life of Pi&lt;/em&gt;. Que filme bonito! O negócio é entrar na fantasia do filme e não ligar para os chroma keys toscos, que não fazem diferença no roteiro incrível do filme. A única coisa que não curti mesmo foi a escolha daquele ator loiro para ser o interlocutor do Pi. Achei ele bem fraco e, no meu ponto de vista, foi desnecessário eles colocarem um cara bonitão para fazer esse papel. O foco da história é o Pi contando sobre suas aventuras e não um ator com cara de galã berlinense hipster fazendo caras e bocas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Minhas apostas para os prêmios principais:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;br/&gt;Melhor filme&lt;/em&gt;&lt;span&gt;:&lt;br/&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Lincoln&lt;/strong&gt;&lt;span&gt; (mas acho &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Indomável Sonhadora, As Aventuras de Pi,&lt;/em&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;em&gt;A Hora Mais Escura&lt;/em&gt;&lt;span&gt; melhores)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Melhor ator:&lt;/em&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Daniel Day-Lewis&lt;/strong&gt; (merece!)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Melhor atriz&lt;/em&gt;:&lt;br/&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Jennifer Lawrence&lt;/strong&gt; (se eu pudesse escolher, daria para Quvenzhané Wallis, claro)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;em&gt;Melhor ator coadjuvante&lt;/em&gt;:&lt;br/&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Christoph Waltz&lt;/strong&gt; (eu ficaria entre ele e o Tommy Lee Jones)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Melhor atriz coadjuvante:&lt;/em&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Anne Hathaway&lt;/strong&gt; (acho que ela leva, apesar de eu não ter achado ninguém que está concorrendo sensacional)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Melhor diretor:&lt;/em&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Steven Spielberg&lt;/strong&gt; (Kathryn Bigelow nem está concorrendo, mas acho que merecia esse Oscar)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Melhor roteiro original:&lt;/em&gt;&lt;br/&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Quentin Tarantino&lt;/strong&gt; -&lt;strong&gt; Django Livre&lt;/strong&gt; (merece!)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Melhor roteiro adaptado:&lt;/em&gt;&lt;br/&gt;&lt;strong&gt;Tony Kushner &lt;/strong&gt;- &lt;strong&gt;Lincoln&lt;/strong&gt; (se o Oscar fosse meu, Lucy Alibar e Benh Zeitlin, de&lt;em&gt; Indomável Sonhadora&lt;/em&gt;, levavam)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;em&gt;Melhor trilha sonora original:&lt;/em&gt;&lt;br/&gt;&lt;strong&gt;007 - Operação Skyfall&lt;/strong&gt; (mas eu queria que &lt;em&gt;As Aventuras de Pi&lt;/em&gt; ganhasse)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;em&gt;*Os pôsteres que ilustram esse post foram criados pelo designer inglês &lt;strong&gt;Dean Walton&lt;/strong&gt; e podem ser comprados no &lt;a href="http://shop.mrshabba.com/products/oscar-nominated-2013-full-series" target="_blank"&gt;site dele&lt;/a&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/42361927235</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/42361927235</guid><pubDate>Tue, 05 Feb 2013 13:38:00 -0400</pubDate><category>oscar</category><category>cinema</category><category>opinião</category><category>2013</category><category>crítica</category><category>resenha</category></item><item><title>Olimpíadas: os modos ingleses</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_m8ewczBFuF1qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;No geral, o povo inglês parece uma criança na festa do amiguinho. Tímido, chega em silêncio, senta numa cadeira no canto e não se entrosa com os amigos. Quando o garçom passa oferecendo salgadinho, é muito educado e não aceita.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os ingleses são conhecidos por serem extremamente na deles, frios e sem grandes demonstrações de emoção. E quando você chega aqui é que percebe que isso tudo não é exagero, eles de fato são assim. Outro dia até ouvi uma brasileira reclamando da falta de assobios safadinhos na rua.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No sábado passado eu ganhei convite para assistir as provas de atletismo e, nem sabia, mas estava indo assistir a final de três grandes esportes onde os ingleses eram os favoritos. Jessica Ennis, no heptatlo, Greg Rutherford, no salto em distância, e Mo Farah, nos 10.000m, levaram ouro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando me vi dentro do Estádio Olímpico ao lado de 80 mil pessoas (os ingressos estavam esgotados!), 90% ingleses, percebi que eles estavam diferentes. As três finais aconteceram em menos de uma hora e foram três ouros para o Team GB, como eles chamam os atletas da Grã-Bretanha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As três comemorações entusiasmadas deixaram os ingleses loucos. Parecia final de Copa do Mundo. Eles se abraçavam sorridentes, como no reveillon, sacudiam bandeiras e gritavam. Foi muito legal. E teve até inglês vindo puxar assunto, ato pra lá de raro nessas terras. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A euforia durou até a entrega das medalhas. Quando acabou, eles saíram do estádio civilizadamente, sem muita gritaria, pegaram o metrô tranquilamente e foram para casa - porque os pubs já estavam fechados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Parecia que aquela criancinha da festa tinha ouvido a sua música favorita, pulou da cadeira, foi para o meio do playground e começou a dançar sem nenhuma preocupação. Quando acabou, arrumou o salão, ajeitou a camisa, penteou o cabelo e voltou para a cadeira, no canto do salão.&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/28986520681</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/28986520681</guid><pubDate>Wed, 08 Aug 2012 13:27:00 -0300</pubDate><category>crônica</category><category>olimpiadas</category><category>londres</category><category>London 2012</category><category>teamGB</category><category>olympic games</category></item><item><title>Olimpíadas: os extremos chineses</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_m850u0KWEQ1qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A China é sensação nas olimpíadas. Já esta com 17 medalhas de ouro com uma semana de jogos olímpicos. Sem dúvida, é uma das principais potências esportivas do mundo. Mas uma notícia não tão boa chamou atenção por aqui. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi o caso polêmico das quatro duplas de badminton que, já classificadas para a próxima fase do campeonato, forçaram erros constrangedores. Dessas oito atletas, duas eram da Indonésia, quatro eram da Coreia do Sul e duas eram chinesas - as atuais campeãs mundiais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O público, quando percebeu que as atletas estavam tentando perder de propósito para não enfrentar rivais mais fortes, se revoltou - com razão - e começou a vaiar. As atletas foram punidas pelo Comitê Olímpico Internacional e eliminadas da Olimpíada de Londres. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma das duas chinesas, a Yu Yang, anunciou na noite de quarta na internet que estava desistindo do esporte. “Essa é a minha última competição. Adeus badminton”, e completou dizendo que os seus sonhos tinham sido destruídos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O sonhos da chinesa só se esqueceram de uma cláusula na carta olímpica onde diz que os atletas precisam fazer seus melhores esforços para ganhar. Parece que esforço é com a China mesmo. Até perder para ganhar está valendo.&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/28563782215</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/28563782215</guid><pubDate>Thu, 02 Aug 2012 14:06:58 -0300</pubDate><category>Olympic games</category><category>olimpiadas</category><category>crônica</category><category>London 2012</category><category>Londres</category><category>China</category></item><item><title>Olimpíadas: a pressão em Tom Daley</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_m81chp1Olv1qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Thomas Daley é um case de sucesso. O menino dos saltos ornamentais de 17 anos foi o mais jovem britânico a participar de uma Olimpíada, em Pequim, aos 14 anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aposta do seu país para conquistar a primeira medalha de ouro para os britânicos, Tom e seu parceiro Peter Waterfield falharam ontem (30/07) no salto. Ficaram em quarto lugar, por conta de um erro de Waterfield. Os ingleses ficaram muito desapontados, como nós ficamos com nossa ginástica olímpica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O fato é que Tom é uma sensação por aqui. Escolhido para estampar campanhas publicitárias e tema de documentário da BBC, ele é um ídolo teen. Participa de projetos de caridade e é visto como exemplo de bom menino. Andando pelas ruas de Londres é muito provável que você encontre uma foto do moleque em outdoors e pontos de ônibus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além disso tudo, Tom perdeu o pai ano passado, com apenas 40 anos, vítima de um câncer no cérebro, e prometia a medalha em Londres2012 como forma de homenagear o pai.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tom ainda tem chance de fazê-lo, sexta-feira no salto individual. E os ingleses estão ansiosos por medalhas. Agora, além de vencer os adversários, ele precisa vencer a pressão que o país inteiro colocou em seus ombros. &lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/28419720575</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/28419720575</guid><pubDate>Tue, 31 Jul 2012 14:28:31 -0300</pubDate><category>Olympic games</category><category>Olimpiadas</category><category>London 2012</category><category>Londres</category><category>Tom daley</category><category>cronica</category><category>crônica</category></item><item><title>Falando em silêncio com Dexter</title><description>&lt;p&gt;&lt;img height="349" src="http://media.tumblr.com/tumblr_m73yg8tMNW1qaj1d6.jpg" width="467"/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estou assistindo todas as temporadas de Dexter. A série, passada em Miami, fala sobre um serial killer &amp;#8220;do bem&amp;#8221; e sua necessidade de matar, de se encaixar na sociedade e de se manter em segredo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;São seis temporadas, eu ainda preciso assistir a última, mas estou viciado desde a primeira. Aproveitando o momento &amp;#8220;pare de gastar dinheiro, Lucas&amp;#8221;, tenho ficado em casa assistindo um episódio atrás do outro e cada episódio que passa eu gosto mais do Dexter.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O personagem é super bem desenvolvido, a história é muito bem feita, os atores são ótimos (os personagens também), a fotografia é meio exagerada, mas ajuda no contexto &amp;#8220;Miamiano&amp;#8221; de ser. Poderia escrever muita coisa sobre a série e sobre a grandeza do personagem, mas uma coisa que tem me chamado muito a atenção são as nossas vozes internas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Todo mundo fala sozinho dentro da cabeça sem, de fato, falar. A gente faz isso com tanta frequência que nem percebemos mais. E assistir Dexter me fez reparar nessa voz. São comentários, pensamentos, planos e desabafos que guardamos para nós, mas que precisam ser ditos - ou pensados - em silêncio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Do mais comum &amp;#8220;ih, preciso ir no supermercado&amp;#8221; ao mais &lt;em&gt;abusado&lt;/em&gt; &amp;#8220;oi, eu namoraria com você&amp;#8221;, acho que essas frases soltas são importantes para a gente. E na série mostra bem isso. Por ser um assassino, Dexter não pode falar o que pensa, mas a série mostra esses pensamentos, narrados pelo próprio ator, como se estivesse conversando com os espectadores. É genial. Tudo bem que o Dexter tem muito mais motivos para falar em silêncio do que nós, mas rola uma identificação.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E aí eu comecei a prestar mais atenção nessas vozes. É interessante que nossa cabeça fala sem mesmo a gente querer, é automático. E eu nunca tinha visto um programa ou filme mostrar isso tão bem como Dexter faz. Por exemplo, alguém pergunta para o Dexter: &amp;#8220;o que você vai fazer hoje?&amp;#8221;, no espaço de tempo entre a pergunta e a resposta, nós &lt;em&gt;ouvimos&lt;/em&gt; ele responder &amp;#8220;matar uma pessoa, me livrar do corpo, plantar provas e limpar a cena do crime&amp;#8221;, e em seguida ele responde em voz alta &amp;#8220;nada, só jantar e dormir&amp;#8221;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; Outra coisa interessante da série é o alter ego do assassino. Harry, o falecido pai de Dexter e a pessoa que o ensinou como controlar sua vontade de matar, sempre aparece numa espécie de flashback em momentos de crise do rapaz. Harry cumpre a função de ser racional, de sempre puxar o filho para a praticidade e não deixar o cara pirar, e o Dexter quer sempre agir com a emoção. É como se o pai fosse o anjinho e o filho o diabinho.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; O mais legal disso tudo é perceber que Harry é só uma ilusão, é o próprio Dexter que está &amp;#8220;conversando&amp;#8221; com ele mesmo. Ele precisa desse alter ego para equilibrar as coisas e agir com sabedoria (nem sempre).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; Enfim, a cada dia que passa eu tô gostando mais da série e admirando o personagem. &amp;#8220;Como ele é maneiro e correto!&amp;#8221;, ouço a minha voz interna dizer. Por mais estranho que todas essas coisas possam parecer.&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/27130719754</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/27130719754</guid><pubDate>Fri, 13 Jul 2012 13:49:50 -0300</pubDate><category>dexter</category><category>série</category><category>seriado</category><category>pensamento</category><category>depoimento</category><category>crônica</category></item><item><title>Semanas de moda e a falta de respeito</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_m5ueryLKGV1qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sempre que passa um Fashion Rio e um SPFW me dá vontade de escrever sobre as semanas de moda. Mas nunca sei o que falar exatamente e tudo o que eu gostaria de dizer já foi dito. Além da preguiça de relembrar a semana que a gente quer mais esquecer, de tão cansativa que é. Mas dessa vez não vai passar - e eu nem vou falar sobre moda em si.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na verdade o que tem me impressionado cada vez mais nas fashion weeks da vida é a falta de respeito. Da menor atitude como a simples entrada no evento às maiores atrações do dia, os desfiles: onde foi parar o respeito?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A começar pelos seguranças. Ter nas mãos o &amp;#8220;poder&amp;#8221; do entra/não entra deixa - alguns - caras malucos. Querem pegar na sua credencial sem pedir, agem com grosseria e, principalmente, com ignorância. Raras são as exceções, como o Donizete, o segurança mais gente boa que conheço, que controla os fotógrafos dentro da sala de desfile.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Outro povo que também sofre da síndrome do pequeno poder são os assessores de imprensa. Ainda mais inaceitável, já que são pessoas que, mal ou bem, são &amp;#8220;colegas&amp;#8221; de trabalho. Lógico que não são todos, na verdade é uma minoria, mas quem age assim só atrapalha e dificulta o trabalho das pessoas. E, depois que a semana de moda acaba, eles mandam emails super simpáticos. Vá entender.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Outra falta de respeito que incomoda todo mundo é o atraso dos desfiles. Já desisti de tentar entender o porquê de tanto atraso. Alguns demoram &amp;#8220;só&amp;#8221; 30 minutos para começar, mas tem desfile que atrasa mais de 1h30. Enquanto isso, todo mundo espera: os fotógrafos do PIT, os convidados, os funcionários da sala de desfile&amp;#8230; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O último desfile do Herchcovitch feminino, semana passada na SPFW, atrasou mais ou menos 1h30. Todo mundo sentado, todos os fotógrafos posicionados, ninguém na passarela, tudo parecia pronto para começar, mas nada do desfile. A chefe de redação da Elle chegou até a bater palma, mas ninguém acompanhou. Não sei se foi vergonha desse povo que é mais preocupado com que os outros vão achar do que com qualquer outra coisa, mas Lenita bateu palma sozinha, e o desfile demorou mais um tempão para começar. E quando começa dura menos de 15 minutos, né?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E quando os desfiles terminam e as pessoas (principalmente as da fila A) levantam antes de as modelos saírem da passarela? O estilista fica seis meses fazendo a coleção, apresenta tudo em menos de 15 minutos e as pessoas não tem o respeito de esperar a última modelo sair da passarela e já saem correndo da sala ainda com a luz apagada. Não dá pra entender, sinceramente.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Enfim, a rabugice ainda é resquício de cansaço do trabalho exaustivo da semana de moda, juro que passa. Pelo menos até outubro&amp;#8230;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/25408497765</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/25408497765</guid><pubDate>Mon, 18 Jun 2012 23:41:00 -0300</pubDate><category>spfw</category><category>modas</category><category>depoimento</category><category>fashion rio</category><category>falta de respeito</category><category>semana de moda</category></item><item><title>C de consumo</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_m33iarM6ot1qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Vim para Fortaleza cobrir um evento de um shopping de atacado, desses que chamam celebridades para abrir os desfiles (e a gente vê tudo no Ego depois). O evento rolou durante três dias e tinham quatro desfiles por dia. Esses desfiles, que duravam de 15 a 20 minutos, apresentavam três looks (entravam três modelos na passarela por vez) de cada loja do shopping.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os convidados eram os compradores do shopping, que trocavam as notas fiscais das compras pelos convites dos desfiles. O gigantesco shopping fica no meio de uma área de classe baixa de Fortaleza. É como um oásis megalomaníaco de compras no meio do nada. As lojas podem ser consideradas de gosto duvidoso, assim como os compradores, mas fazendo uma pauta para o site oficial do evento (viemos aqui para isso), percebi uma coisa que me deixou surpreso. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://festivaldamodadefortaleza.com.br/?p=593" target="_blank"&gt;A matéria era sobre mulheres que vem de outros estados para comprar no shopping&lt;/a&gt;. Por quê? Porque é mais barato e tem tudo em um lugar só. As caravanas vêm de Sergipe, Belém, Salvador, São Luiz do Maranhão&amp;#8230; Só Norte e Nordeste. E essas mulheres (ou muambeiras, como elas mesmas se autodenominam) ficam em quartos no segundo andar do shopping, uma espécie de hotel com 98 quartos para quem vem comprar (leia-se gastar) e vai ficar por mais de um dia. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A Bia, jornalista, e eu entramos em um desses quartos. Tinham seis mulheres que vieram de Sergipe, uma viagem que levou quase 24 horas. As seis, que se conheceram no ônibus, dividiam um quarto com cerca de 20m2 - e um só banheiro - e passariam três dias ali para fazer as compras. O que me surpreendeu nisso tudo foi a quantidade de dinheiro que cada uma delas gastou em roupas e acessórios: R$20 mil. Ou seja, naquele quartinho pequeno e cheio de colchões espalhados pelo chão, tinham R$120 mil em compras.&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;Foi aí que deu o click na minha cabeça. Se as simpáticas muambeiras de Sergipe (que vendem as roupas em lojinhas, camelôs e de porta em porta) gastam isso, imagina quanto o shopping arrecada em compras! E a primeira coisa que pensei foi aquela história da tão falada classe C (ou nova classe média), que está em ascensão. No meio onde trabalho, vejo editoras de revistas e canais de televisão mudando sua programação, alterando o jeito como o jornalismo é feito para se aproximar mais dessa nova (e grande) parcela da população. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Já vi muita marca em Fashion Rio e São Paulo Fashion Week saindo desses eventos por falta de grana. Marcas e designers com vida bacana, com apartamentos luxuosos, com viagens internacionais, com prestígio entre os amigos ricos e com a imprensa. Mas o que eles mais precisavam, não tinham: dinheiro. A grana está no shopping Maraponga, o shopping que está promovendo o evento aqui em Fortaleza, e em vários outros polos de moda como esse pelo Brasil. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Aí você percebe que as editoras de revistas e as emissoras de TV têm sim que preocupar com essa nova classe que está dominando as paradas. É claro que gente rica, glamurosa e cheia do prestígio vai ter para sempre (e é até natural que a gente prefira esse mundo), mas precisamos ter uma consciência de que as coisas estão mudando - ou já mudaram e nós demoramos para perceber, ou aceitar. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Essas muambeiras de R$20 mil vêm gastar todo mês, algumas até duas vezes por mês, e fazem parte de um mercado que não para de crescer. Enquanto as pessoas que moram no Leblon ou no Jardins reclamam de falta de grana, as muambeiras estão muito bem, obrigado.&lt;/div&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/21853564223</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/21853564223</guid><pubDate>Thu, 26 Apr 2012 13:44:00 -0300</pubDate><category>fortaleza</category><category>ceará</category><category>brasil</category><category>depoimento</category><category>classe c</category><category>muambeira</category><category>compras</category><category>shopping</category></item><item><title>O que é felicidade</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_m2lhs70CG51qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Além de servir como refúgio de traficantes cariocas nos dias de hoje, Maricá foi onde, há mais de 20 anos, meus avós compraram um terreno vazio e construíram lá o sítio da família.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Juntos, os dois plantaram cada pedacinho de grama, construíram a casa principal, depois ampliaram com alguns quartos, fizeram um mezanino, uma piscina grande, uma churrasqueira, plantaram mais umas árvores e deixaram o sítio perfeito.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Durante toda a minha infância e adolescência eu fui para Maricá. Às vezes meus pais nem iam, mas eu ia com irmão e com meus avós. Lá, eu tive um dos meus melhores e inesquecíveis amigos, o Rafael. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O Rafa era neto do caseiro e ele sempre foi da nossa família. A primeira coisa que eu fazia quando chegava no sítio era chamar o Rafa para brincar. Mais tarde, com o meu irmão, formávamos um trio e tanto. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tínhamos nossa casa da árvore, era uma espécie de QG. Do lado, uma hortinha nossa que sobrevivia aos trancos e barrancos, já que usávamos aquilo mais como experiência científica do que como horta mesmo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Em Maricá eu conheci vários tipos de árvores, frutas, flores e plantas, aprendi a sentir cheiro de terra, cheiro de chuva, tirei leite de vaca (do vizinho), vi ovos se transformando em pintinhos, cuidei de galinhas, gatos e cachorros. Quando eu estava lá, estava feliz.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O pé de tangerina, por exemplo, era do lado da árvore de lichia e sempre que estava na época da tangerina, nós três pegávamos a fruta no pé, colocávamos várias na camisa, subíamos a árvore de lichia e cada um ficava no seu galho, comendo tangerina até enjoar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Brincávamos de marco-polo na piscina com a minha avó e a minha mãe - que sempre achava que eu estava roubando e abrindo os olhos embaixo da d&amp;#8217;água, e nos dias quentes era lá que a gente ficava. Apesar da piscina ser enorme e bem funda, foi nela que eu aprendi a nadar. Até cair de bicicleta dentro da piscina eu caí.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Maricá era uma espécie de &amp;#8220;fuga da gaiola da cidade grande&amp;#8221; para a gente. Me lembro uma vez, eu ainda era bem pequeno, quando a gente tinha acabado de chegar no sítio e eu saí do carro e comecei a correr, sem nem saber porque estava fazendo aquilo. Hoje entendo e sinto falta dessa liberdade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foram tantas histórias que daria para escrever um livro. Desde as cobras, até o dia que caí de costas e sem camisa no roseiral, o dia que fui arrastado por um cavalo e quebrei o braço, ou quando meu pai foi picado na testa por um marimbondo&amp;#8230; Um dia ainda escrevo tudo isso.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sinto muita falta de Maricá. Conforme meus pais se separaram e o meu irmão e eu fomos crescendo, as visitas ao sítio foram diminuindo. Até o dia em que a violência bateu na portão da casa e dois bandidos colocaram uma arma na cabeça dos meus avós. A partir daí, Maricá foi se diluindo em lembranças.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Hoje já faz dois anos que o sítio foi vendido. Meus avós nem gostam de falar muito sobre isso. Semana passada, por coincidência, fui fazer um retrato em Maricá e aproveitei para dar uma espiada lá na rua Onze do Condado de Maricá. O portão continua o mesmo, os novos donos não mudaram a plaquinha com o nome &amp;#8220;Sítio MEL&amp;#8221;, abreviação de Maria Elena Landau, minha avó.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;De resto, muita coisa mudou. E bateu uma tristeza bem grande olhar para aquele pedaço de terra em que a minha família foi feliz e perceber que aquilo ficou para trás. Que o galho da lichia pertence a outra pessoa, apesar de ter sido plantado pela minha avó, e que a casinha da árvore não é mais nossa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eu espero, do fundo do meu coração, que a família que comprou o sítio tenha a mesma felicidade que a minha família teve lá. E que meus filhos tenham um &amp;#8220;Sítio MEL&amp;#8221; na vida deles.&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/21234736209</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/21234736209</guid><pubDate>Mon, 16 Apr 2012 20:13:00 -0300</pubDate><category>crônica</category><category>depoimento</category><category>maricá</category><category>lembrança</category><category>história</category><category>sítio</category></item><item><title>O pesadelo da noite de domingo</title><description>&lt;p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;img height="325" src="http://media.tumblr.com/tumblr_m162ppOdoI1qaj1d6.jpg" width="467"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eu odeio domingo à noite. Primeiro, por me fazer ir ao Google confirmar que o ‘a’ tem crase. Segundo, porque é o fim do final de semana. Fim do fim. Tem coisa mais triste? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Você sabe que algumas horas depois vai começar a semana. E volta tudo de novo. Aí você não quer que o final de semana termine e começa a inventar programas para a noite de seu domingo dar aquela espichadinha e o fim do fim não parecer tão trágico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Na verdade, eu tenho um problema especial com a noite de domingo. Quando meus pais se separaram, meu pai saiu de casa. Como toda família normal, meu irmão e eu passávamos um final de semana a cada 15 dias com ele e eu adorava esses 4 dias do mês.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Mas quando o final de semana era com ele, ele nos deixava domingo à noite na casa da minha mãe para acordarmos cedo para o colégio na segunda. Pronto, era o fim do final de semana com o pai. Odiava essa agonia que me dava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;E domingo é aquele falso dia legal, né? Nem se compara ao sábado – esse, sim, legal. Domingo você já acorda mal. Já acorda sabendo que amanhã é segunda. Sábado você ainda pode pensar: “segunda é só depois de amanhã”. Sim, isso faz diferença.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Aí você almoça daquele jeito cabisbaixo, sem tirar da cabeça que a noite está chegando. Depois do almoço, rola aquele limbo. Durmo de novo? Vou ao cinema? Vou ao shopping? Pedalo na praia? Compro um pote de sorvete? &lt;br/&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Quando o limbo passa, você liga a TV e está passando Fantástico. Depressão maior. “Puta merda, tá no fim&lt;span&gt; &lt;/span&gt;do fim mesmo”. Você até encontra um filme, um outro programa, um Big Brother da vida, mas cada vez mais você sabe que o fim do fim está chegando. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Se prepara lentamente para dormir. Escova os dentes pensando na segunda-feira. O que tenho pra fazer, que horas vou acordar, o que vou almoçar. Deita na cama, custa a dormir. Segunda-feira você acorda e nem lembra mais da noite anterior. Você não &lt;em&gt;quer&lt;/em&gt; mais lembrar da noite anterior. E o próximo domingo parece tão longe&amp;#8230;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Continuo odiando o domingo à noite e tenho certeza que vou odiar para sempre. Só não vou esquecer de, quando eu for um pai separado, sempre deixar meu filho dormir na minha casa na noite de domingo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/19615006851</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/19615006851</guid><pubDate>Tue, 20 Mar 2012 01:46:00 -0300</pubDate><category>crônica</category><category>depoimento</category><category>domingo</category><category>noite</category><category>sono</category></item><item><title>2011, o ano que...</title><description>&lt;p&gt;&amp;#8230;voltei a morar na minha cidade.&lt;br/&gt;&amp;#8230;voltei a morar sozinho.&lt;br/&gt;&amp;#8230; adotei dois gatos fodas.&lt;br/&gt;&amp;#8230;consegui viver dos freela de fotografia.&lt;br/&gt;&amp;#8230;trabalhei para a vogue.&lt;br/&gt;&amp;#8230;conheci paris.&lt;br/&gt;&amp;#8230;fui a um casamento real.&lt;br/&gt;&amp;#8230;fui no casamento mais bonito da vida.&lt;br/&gt;&amp;#8230;fui no show da amy winehouse.&lt;br/&gt;&amp;#8230;fui no show do paul mccartney.&lt;br/&gt;&amp;#8230;emagreci uns bons quilos.&lt;br/&gt;&amp;#8230;fiz amigos pra vida toda.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;strong&gt;Como não amar 2011?&lt;/strong&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E que em 2012 eu&amp;#8230;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&amp;#8230;fotografe muuuuuito.&lt;br/&gt;&amp;#8230;continue morando sozinho e no apêzinho que eu amo.&lt;br/&gt;&amp;#8230;conheça Berlim e Amsterdam (entre outros).&lt;br/&gt;&amp;#8230;volte a Londres durante as Olimpíadas.&lt;br/&gt;&amp;#8230;vá a mais casamentos divertidos.&lt;br/&gt;&amp;#8230;vá em shows fodas (a começar com Florence e Foo Fighters).&lt;br/&gt;&amp;#8230;emagreça mais.&lt;br/&gt;&amp;#8230;faça mais amigos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;strong&gt;Bem-vindo, 2012! ;)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/14938377507</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/14938377507</guid><pubDate>Wed, 28 Dec 2011 18:28:22 -0400</pubDate><category>balanço</category><category>2011</category><category>2012</category><category>anos</category><category>feliza ano novo</category></item><item><title>A Rocinha de dona Marieva</title><description>&lt;p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_luuag8mfjB1qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Lá no alto da Rocinha, quase na descida para a Gávea, vi uma senhora na laje do que parecia ser um predinho. Gritei, perguntei se podia subir lá para fazer umas fotos. Simpática, ela falou para eu entrar no portão azul, número 305 da rua 1, e subir as escadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O predinho que imaginei ter três andares, se tornou uma escadaria infinita quando o repórter da revista Alfa e eu passamos pelo portão azul. Degraus estreitos (quase caí duas vezes) nos levaram ao sexto andar da construção – que parecia ter recebido um andar de cada vez, em obras diferentes e mal terminadas. &lt;br/&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Da laje, uma vista incrível. A Rocinha aos nossos pés e lá na frente os prédios de São Conrado espetados atrapalhando a vista da praia. “Não repara, não”, disse dona Marieva, 30 anos de Rocinha, “tá em obra aqui”. Não achei simpático perguntar a idade da pernambucana, mas chutaria uns 60 anos. &lt;/span&gt;&lt;span&gt; &amp;#8220;Não troco o reveillon daqui por nenhuma Copacabana&amp;#8221;, disse rindo.&lt;br/&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Algumas plantas dividiam a laje com um pequeno galinheiro, com quatro galinhas. O terreno do lado também é de dona Marieva e ela conta com gosto que tem toda a papelada da propriedade. “Meu marido gostava de fazer pela Rocinha, sabe, Lucas? Lutou por isso aqui, por isso eu sou assim”, disse orgulhosa, se referindo aos elogios que teceu sobre a comunidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Dona Marieva, viúva há três anos, foi casada com um professor que trabalhou no CIEP da Rocinha e dava aula em duas faculdades. Culto, inteligente e bom pai de família, ensinou a mulher e o filho a viverem de forma correta e sempre batalhando. O filho, aliás, estava no festival SWU, em São Paulo, naquele final de semana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O galinheiro da laje não combinava com o apartamento de Dona Marieva - que fez questão de nos mostrar sua casa. TV grande de tela plana (com a Record ligada), video game, câmera digital, computador e todos os eletrodomésticos básicos. Uma casa com três quartos, muito maior do que a minha. Um quarto para ela, outro para o filho e o terceiro ela aluga por R$250 mensais. E quase nenhuma conta para pagar, tudo bancado pelo “gato”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Não deixou ser fotografada, ficou com medo que fosse colocar a foto dela em algum lugar. Mesmo dizendo que era só uma foto de celular, uma recordação, ela não quis. Mas não resisti e roubei uma foto enquanto dona Marieva falava sobre a Rocinha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;A foto a preocupou porque o tema da conversa era a UPP e estava sendo evitado por todo morador que cruzamos pela comunidade. Tinha perguntado sobre o que ela pensava da ocupação policial. “Olha, meu filho, acho que vai ser bom, mas eles tem que cuidar da Rocinha de verdade”, falou de um jeito bem sério, quase brigando. E continuou. “Eu e os outros moradores do prédio deixamos nossa roupa no varal por dias e ninguém nunca roubou. Agora quero ver como vai ser”. &lt;br/&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Dona Marieva me falou – nessas palavras - que “está com medo que a Rocinha fique violenta com a UPP”. Ou seja, sem as “leis” dos traficantes. “Uma vez, um cara resolveu colocar uns troços aí no meu terreno e eu fui lá falar com os garotos, porque eu tenho a papelada toda, né? Aí eles me falaram: ‘Tia, se a senhora tem os papéis pode ficar tranquila que ninguém vai mexer na sua propriedade’”. Dito e feito, o tal cara tirou as tralhas do terreno e fim de papo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“Mas eu não me envolvo, e nunca me envolvi, com traficantes, nunca vi o Nem”, afirmou. Dona Marieva quer apenas que a sua comunidade, tida como uma das mais violentas do Rio, não se torne&amp;#8230; violenta. Ela quer continuar deixando roupa no varal e fazendo o que bem entender com seu terreno cheio das papeladas. Agora a favela e o asfalto estão sob o mesmo poder (do Estado) e dona Marieva quer o que toda a população carioca quer: paz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/12957075427</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/12957075427</guid><pubDate>Fri, 18 Nov 2011 00:41:00 -0400</pubDate><category>crônica</category><category>depoi</category><category>rocinha</category><category>favela</category><category>rio de janeiro</category><category>upp</category><category>ocupação</category></item><item><title>O dia em que jantei com Bethânia</title><description>&lt;p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_lu5tvyio2i1qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Um dia, jantei com a Maria Bethânia. É, saímos para comer. Estávamos nós e mais cinco pessoas. Kati Almeida Braga, Cora Rónai, Olivia Byington, Ana e Miúcha. Fui com a Cora assistir ao show da Bethânia no Canecão. Já tinha assistido seis vezes. “Tempo, tempo, tempo, tempo” vezes seis. 24 tempos! Fui duas vezes com a Cora e quatro sozinho. Me lembro bem. Era Bethânia cantando Chico, Tom, Vinicius&amp;#8230;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;No sexto e último dia - um domingo, naturalmente -, terminado o show, fomos ao camarim, como de costume. A apresentação não teve nada de especial comparada às outras. No camarim, o clima estava ótimo. Todo mundo feliz e com uma taça de champanhe na mão, depois do brinde com a banda e a equipe (ritual habitual que a Bethânia faz no final de uma temporada de shows). Nós, visitas, entramos na brincadeira. Para mim aquilo já estava muito sensacional. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Mas eis que Olivia teve a (brilhante) ideia de irmos jantar em algum lugar. Cariocas que somos e felizes que estávamos, todos topamos em um segundo. O problema era Bethânia. Kati falou que Bethânia não gostava de sair para jantar, nunca fazia isso e que achava difícil que ela fosse. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Estávamos combinando o jantar entre nós e Kati vem com a notícia de que Bethânia também ia. Nervosismo máximo. Cora e eu pegamos um táxi, já que não caberíamos todos em um carro só. Eu nem sabia quem estava indo, para falar a verdade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Chegamos na Capricciosa do Jardim Botânico antes de Bethânia. Escolhemos a mesa que a Olívia já conhecia e gostava. Bethânia chegou, sentou e continuamos a conversa que estava rolando na mesa. Ninguém parou de falar e deu a voz à Bethânia, coisa que eu tinha certeza que fariam – eu, pelo menos, faria. E aí a conversa foi.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Falamos sobre beber água. Bethânia disse que gostava demais de beber água e contou uma história sobre o pai dela, que sempre colocava uma jarra de barro com água fresquinha do lado da cama para ela beber durante a noite. Eu estava parado, olhando para ela, dizendo “aham&amp;#8230; é&amp;#8230;” para tudo que ela falava. Estava meio chocado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Depois bati altos papos com a Miúcha sobre a lombar e pé chato. (Pé chato, aliás, é um assunto que rende nesse meio. Uma vez eu conversei com o Caetano e a Paula Lavigne sobre nossos pés chatos, mas isso é outra história, outro post). Miúcha e eu nos entendemos muito enquanto falávamos de problemas ortopédicos. Por um momento pensei: “Bebel, sua metidinha, estou aqui falando sobre pé chato com a sua mãe, me respeite!”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Conversamos sobre muitas outras coisas naquela noite. O restaurante já estava fechado, só tínhamos nós lá dentro e o garçom não parava de trazer pizzas. Rimos e nos divertimos até às 4h30. Pedimos a conta, que Kati fez questão de pagar, nos despedimos e fomos embora. Era uma noite de dezembro de 2006. Eu tinha 16 anos. Até hoje me lembro com detalhes daquela noite em que aprendi a valorizar o copo d&amp;#8217;água.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Fiz essa a foto do post durante o show &amp;#8216;Dentro do Mar Tem Rio&amp;#8217;, em 2007, também no Canecão&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/12473715882</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/12473715882</guid><pubDate>Mon, 07 Nov 2011 14:07:00 -0400</pubDate><category>bethânia</category><category>cantora</category><category>maria bethânia</category><category>crônica</category><category>depoimento</category><category>história</category></item><item><title>Porque eu roo unha</title><description>&lt;p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_lrebnqKqvX1qaj1d6.jpg" height="436" width="436"/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Nem eu sei. Roer unha é tipo fumar, beber, comer compulsivamente, se drogar, enfim, um vício. Meu avô volta e meia fala: “Vou te dar um cortador de unha”. Não precisa, vô, eu tenho dois cortadores e nenhuma unha para cortar. Lógico, eu roo. A questão aqui não é falta de cortador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;O outro avô sempre fala: “Está com fome? Tem comida, não precisa comer a unha”. Também não é questão de fome, vô. Comida tem, eu sei. E unhas nem têm sabor de comida japonesa ou de sorvete.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Uma vez, quando eu era pequeno, esse mesmo avô falou que todo pedaço de unha que eu ingeria ia para uma parte do estômago e, depois do acúmulo, seria necessário operar para retirar esses pedaços. Que tal? Não se diz isso para uma criança. Mas mesmo o medo da possível operação não me fez parar roer unha – ou, para ele, comer unha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Quando eu ainda fazia terapia (ah, que saudades!), a minha terapeuta disse que roer unha era agressividade. Ao invés de descontar em alguém, ou em algum tipo de esporte, me drogando ou bebendo, eu roia unha. Uma agressividade que não era externada, então eu me autoflagelava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Pode ser que ela esteja certa. A verdade é que acho que até quem rói unha não sabe o motivo. Poderia falar que é hereditário. Minha avó roeu unha, minha tia roeu unha, minha mãe roeu unha e eu roo. É o ciclo familiar da autoflagelação. Se eles um dia existirem, espero que meus filhos não roam. &lt;br/&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Acho que está mais ligado a ansiedade do que a qualquer outra coisa. Sou uma pessoa completamente ansiosa. Tento controlar, mas é difícil. Nasci assim, né. Assim como não é simples parar de roer unha. Acho que uma coisa está completamente ligada à outra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;O fato é que, aos 21 anos de idade, eu cortei as unhas da mão pela primeira vez. Foi há algumas semanas. Depois de me ver roendo unha em uma foto, passei a achar horrível roer unha – visualmente falando, porque vício é vício e não termina assim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Aí parei de roer uma mão. As unhas começaram a crescer, fiquei orgulhoso, achei lindo. Podia tirar o rótulo do requeijão com a unha. Comecei a achar útil ter unhas. Estava curtindo. Mas estavam muito grandes e cortei. Pela primeira vez, em vinte e um anos. &lt;br/&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Eu nem sabia segurar o cortador direito. Mas deu certo. Hoje, dos meus dez dedos, parei de roer uns seis ou sete. O resto eu continuo roendo. Afinal, é vício e, como a Amy foi alertada, vício não se para completamente. Você vai diminuindo aos poucos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span xml:lang="PT-BR" lang="PT-BR"&gt;Minha meta é parar de roer completamente. Até lá, continuo descontando a minha raiva em mim mesmo. Melhor do que nos outros, né?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/10118607001</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/10118607001</guid><pubDate>Mon, 12 Sep 2011 03:08:00 -0300</pubDate><category>unha</category><category>roer unha</category><category>onicofagia</category></item><item><title>De volta para o (homem do) futuro</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_lqg4hvKRk91qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Talvez você tenha ouvido falar do longa &lt;em&gt;O Homem do Futuro&lt;/em&gt; por causa dos protagonistas, Wagner Moura e Alinne Moraes. Ou talvez tenha assistido no YouTube a cena em que os dois cantam &lt;strong&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=4Kg30xP_ZMU"&gt;&lt;em&gt;Tempo Perdido&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, da Legião Urbana, usada como uma espécie de viral para divulgar o filme. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O fato é que &lt;em&gt;O Homem do Futuro&lt;/em&gt; é a grande aposta da Conspiração Filmes para 2011. Com estreia prevista para 2 de setembro, o longa escrito e dirigido por Claudio Torres (o mesmo de &lt;em&gt;A Mulher Invisível&lt;/em&gt;) conta a história de Zero (Wagner), um cientista genial que está insatisfeito com a vida e ama Helena (Alinne) desde os tempos da faculdade de física - onde, 20 anos atrás, sofreu bullying e passou a desacreditar no amor.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Então, o cientista resolve voltar ao passado para consertar isso aí. Se está ruim agora, pode-se mudar lá atrás para tentar melhorar o presente? Zero percebe que as coisas não são bem assim e vai para o passado, depois vai para o futuro, volta pro passado e, finalmente, chega ao presente. Sempre tentando consertar o que fez de errado.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É quase um &lt;em&gt;De Volta para o Futuro&lt;/em&gt; versão Capitão Nascimento. A sensação é que Claudio Torres tentou fazer uma adaptação brasileira do filme americano de 1985. Assistindo &lt;em&gt;O Homem do Futuro&lt;/em&gt;, você percebe o que o diretor quis fazer e dizer com as cenas, mas percebe também que ele não teve muito êxito. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas isso não quer dizer que o filme seja ruim, apenas parece uma ficção científica um pouco amadora. No elenco ainda estão Gabriel Braga Nunes, Maria Luísa Mendonça e Fernando Ceylão. Gabriel, aliás, parece ator de um papel só: as mesmas caras e bocas do vilão Léo, da novela &lt;em&gt;Insensato Coração&lt;/em&gt;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E a boa atuação e o carisma de Wagner e Alinne seguram o espectador no cinema - até mesmo no momento em que você desiste de entender o sentido da história, porque com os buracos no roteiro, é preciso entrar  no clima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;O Homem do Futuro: 103 minutos, estreia dia 2 de setembro.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/9676216276</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/9676216276</guid><pubDate>Thu, 01 Sep 2011 17:18:00 -0300</pubDate><category>filme</category><category>cinema</category><category>o homem do futuro</category><category>wagner moura</category><category>claudio torres</category><category>alinne moraes</category></item><item><title>O meu problema com "Melancolia"</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_lqq4qjRuHm1qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu não leio críticas de filme antes de assisti-lo. Por mais que eu mesmo escreva alguns textos sobre cinema, não leio nada sobre o filme que vou ver. Só procuro saber quem é o diretor, quem são os atores e quanto tempo dura (como bom ansioso, gosto de saber que horas aquilo vai acabar). Com &lt;em&gt;Melancolia&lt;/em&gt; não foi diferente. Não quis ler nada sobre o longa do diretor Lars von Trier que, meu deus!, está na boca do povo. Até quem nunca assistiu a um filme do dinamarquês anda por aí falando que ama Lars von Trier.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas a minha tática não deu certo dessa vez. De fato, não li nada. Driblei os links no Twitter e as resenhas dos jornais. Não li uma linha sobre &lt;em&gt;Melancolia&lt;/em&gt;. O problema é que o filme arrebatou o público. Foi impossível não ouvir na fila do supermercado uma senhora soltar um &amp;#8220;que filmão&amp;#8221;, um parente comentar que o filme é genial no jantar da família e os amigos dizerem que &amp;#8220;é agoniante, porém brilhante&amp;#8221;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A partir disso, comecei a ficar agoniado bem antes da hora. Os dias passavam e eu ainda não tinha assistido &lt;em&gt;Melancolia&lt;/em&gt;. Tudo que estava girando em torno do filme, já estava agoniante. Resolvi, então, tirar a noite dessa segunda-feira para ir ao cinema. Laura Alvim, aqui do lado de casa, 21h30, horário bom, enfim, tudo certo. Chamei uns amigos, mas me falaram que seria bom ver sozinho, então lá fui eu.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fui a pé pro cinema roendo as unhas. Estava muito curioso. &amp;#8220;O que tem nesse filme que deixou as pessoas assim?&amp;#8221;, pensei enquanto me aproximava da casinha na Vieira Souto. Pouco antes de entrar, ainda pensei: &amp;#8220;Depois do filme vou sentar nesse quiosque aqui na frente e ficar olhando o mar por horas&amp;#8221;. Eu já estava prevendo tudo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Meus melhores amigos falaram bem do filme. Não foram críticas de jornalistas ou opiniões aleatórias. Foram opiniões de pessoas que estão perto de mim o tempo todo, me conhecem. Eu tinha tudo para entrar no time deles. Mas não rolou.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Confesso que ainda estou digerindo &lt;em&gt;Melancolia&lt;/em&gt;. Pode ser que o momento certo para escrever esse texto seja na semana que vem ou no mês que vem. Mas, assim, com a memória fresquinha, não achei &lt;em&gt;Melancolia&lt;/em&gt; isso tudo. Esperava mais - em todos os sentidos. Para deixar claro: eu gostei do filme. Mas de tanto que as pessoas falaram, eu esperei muito mais. Fui munido de expectativa. Talvez não tenha entrado na história como uma pessoa que entrou no cinema mais &amp;#8220;crua&amp;#8221; sobre o filme.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Saí pensando por que eu estava sentindo isso (ou por que não estava sentindo nada). No caminho para casa, peguei o celular e li as críticas do Globo, da Piauí e da Folha. Não achei nada da Isabela Boscov, da Veja, de quem sou fã e que conta todo o filme &lt;strong&gt;&lt;a target="_blank" href="http://veja.abril.com.br/blog/isabela-boscov/"&gt;nos seus vídeos&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; (anyway, Boscov, te amo). E descobri a briguinha de comadres entre o Eduardo Escorel, da Piauí, e o André Miranda, do Globo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na verdade não foi briguinha. André escreveu a &lt;strong&gt;&lt;a target="_blank" href="http://rioshow.oglobo.globo.com/cinema/eventos/criticas-profissionais/melancolia-4746.aspx"&gt;crítica do filme&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; no jornal e deu o bonequinho dormindo (resenha, aliás, que eu mais concordei entre as que li). Escorel, um tanto quanto irritado, escreveu &lt;strong&gt;&lt;a target="_blank" href="http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/questoes-cinematograficas/geral/lars-von-trier-soberba-e-melancolia"&gt;uma crítica sobre a crítica&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de André, desconstruindo praticamente parágrafo por parágrafo publicado no jornal carioca. Se tiverem saco, leiam os dois textos para entenderem melhor. Mas uma das coisas que Escorel fala é que André foi muito &amp;#8220;soberbo&amp;#8221;. Sem querer me meter nisso aí, mas quem escreve uma crítica desconstruíndo outra crítica, é o quê?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;De qualquer maneira, é possível que daqui a um tempo eu ache tudo isso que eu escrevi aqui uma bobeira e esteja amando &lt;em&gt;Melancolia&lt;/em&gt; (e Lars von Trier). Até lá, sigo com a minha dúvida: ou o filme foi superestimado, ou as pessoas curtem sofrer com depressão alheia.&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/9576386215</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/9576386215</guid><pubDate>Tue, 30 Aug 2011 01:38:19 -0300</pubDate><category>filme</category><category>cinema</category><category>melancolia</category><category>lars von trier</category></item><item><title>Ficção científica, ingênua e nostálgica</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_lpqbkorUQ71qaj1d6.jpg"/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Super 8&lt;/em&gt; não tem estrelas no elenco (talvez a Elle Fanning, que fez &lt;em&gt;Somewhere&lt;/em&gt;, de Sofia Coppola, seja a mais famosa), mas conta com uma dupla poderosa por trás: J.J. Abrams e Steven Spielberg. Abrams é o nome de filmes como &lt;em&gt;Armageddon&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Missão Imossível 3&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Star Trek&lt;/em&gt; e da série &lt;em&gt;Lost&lt;/em&gt;. Spielberg dispensa apresentações, mas só para constar, tem dois Oscars na carreira.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Exatamente por não ter qualquer prepotência de ser um blockbuster e por esbanjar exageros, o filme se torna uma delícia. A história é passada no final da década de 1970, na pequena cidade fictícia de Lilian, em Ohio, e conta a história de um grupo de amigos (destaque para Riley Griffiths, o gordinho diretor do filme, e Joel Courtney, personagem principal) que estão rodando um filme amador de zumbis e, durante as filmagens, testemunham um grande acidente de trem. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A partir daí, o suspende só cresce. Os meninos começam a ficar intrigados com os fatos que vão descobrindo e tentam desvendar o mistério. &lt;em&gt;Super 8&lt;/em&gt; retrata muito bem a cidade da década de 1970, o que faz com que você entre no clima muito fácil. A iluminação do filme é meio exagerada, assim como as explosões, mas isso só deixa tudo mais gostoso de assistir.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O &lt;em&gt;super trunfo&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;Super 8&lt;/em&gt; (tente ver em uma sala IMAX, faz toda a diferença) é ser humilde, ingênuo e ter um elenco extraordinário de crianças. A ficção científica nada mais é do que uma aventura nostálgica, pincelada pela amizade e curiosidade dos meninos. Eles são muito sinceros e, adolescentes que são, agem como tal. É divertidíssimo quando dois meninos descobrem que estão gostando da mesma menina, por exemplo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;J.J. Abrams e Steven Spielberg, que começaram a brincar de cinema com uma câmera super 8mm e já fizeram filmes que estão na história do cinema, dessa vez entraram em um mundo diferente do habitual deles e tiveram muito sucesso. Não tem nada de novo, mas não precisa ter. &lt;em&gt;Super 8&lt;/em&gt; é uma delícia de filme, não percam - e nem saiam do cinema antes dos créditos terminarem!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Super 8: 112 minutos, estreia dia 12 de agosto.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://eoque.tumblr.com/post/8745910128</link><guid>http://eoque.tumblr.com/post/8745910128</guid><pubDate>Wed, 10 Aug 2011 17:32:00 -0300</pubDate><category>cinema</category><category>super 8</category><category>filme</category><category>crítica</category><category>jj abrams</category><category>steven spielberg</category></item></channel></rss>
