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Estava há muito tempo desatualizado desse mundo cinematográfico, vi que o Oscar estava chegando e resolvi fazer uma maratona para assistir a todos os filmes que estão concorrendo ao prêmio de melhor filme - para não ficar muito por fora, né. Aqui, mais ou menos, o que eu achei sobre cada um.
Argo
Achei bom. Cinemão pipoca, cheio dos clichês. Não acho Ben Affleck todo esse gênio que estão dizendo por aí, nem como ator nem como diretor, mas ele está bem no filme. Acho que a história do resgate dos americanos no Irã já é super cinematográfica, independente dos Ben Afflecks da vida. Mas mérito dele que soube transformar a (boa) história em (bom) entretenimento.
Django Livre
Adorei. Prato cheio pra quem curte Tarantino. O elenco do filme é muito bom. Christoph Waltz é sensacional, um dos meus atores favoritos do momento. Grande concorrente ao Oscar. Acho o filme excelente, mas comparado aos outros não sei se tem força para ganhar.
Lincoln
O problema de Lincoln (além da chatice e das 2h30 de filme), na minha opinião, é que ele trata sobre a abolição da escravatura dos EUA e como foram as politicagens para que ela fosse concluída. Lincoln não me pareceu exatamente o foco do filme. Poderia ser mais clichê (ou tosco), mas talvez um filme contando a história do político fosse mais interessante (para o mundo) do que contar sobre a abolição nos Estados Unidos. Daniel Day-Lewis está sensacional no papel principal e merece levar o Oscar de melhor ator. Trabalho impecável.
A Hora Mais Escura
Era o meu preferido. Achei Guerra Ao Terror, o último filme da Kathryn Bigelow (ex-mulher do James Cameron), bem chatinho e não dava nada por esse, mas me surpreendi muito. Direção foda (acho muito errado que a Kathryn nem esteja concorrendo a melhor direção), fotografia muito boa e Jessica Chastain ótima no papel principal. Ela também era a minha preferida para o Oscar de melhor atriz, mas…
Indomável Sonhadora
…mas aí eu assisti Indomável Sonhadora. Uau, que filme. Há muito tempo não me envolvia e me emocionava tanto com uma história. Nem vale a pena contar nada sobre o longa. Eu tenho essa mania de ver o filme sem ter lido uma linha sobre ele e esse é um dos que vale a pena fazer isso. O filme é tão bem trabalhado que é importante assistir “cru”, para você ir tomando “as porradas” sem estar preparado. Eu ia gostar muito se levasse o Oscar, mas acho difícil. E, apesar dos nove anos, Quvenzhané Wallis é surreal. Minha favorita ao Oscar de melhor atriz. Sem dúvida.
Os Miseráveis
Produção fantástica: cenografia, figurinos, maquiagens, etc, tudo perfeito. A história também é ótima e os atores, então, nem se fala (destaque para o Sasha Baron Cohen e Helena Bonham Carter). Mas é um filme 100% cantado. Eu sei que é um musical, eu até curto musicais, mas não quando eles não tem nenhum diálogo normal, que não seja cantado. Dá vontade de ouvir a pessoa falar, dá agonia aquele povo cantando e chorando (só sofrimento esse filme) o tempo inteiro. Definitivamente, não é o meu tipo de filme, mas sei que é uma puta produção.
O Lado Bom da Vida
Então, achei O Lado Bom da Vida legal, mas ponto final. Dar o Oscar de melhor atriz para Jennifer Lawrence por esse papel acho puxado. Tudo bem que ela é ótima, que é a nova queridinha de Hollywood, que rasgou o vestido e não pagou mico, mas por esse filme não acho que merece. Me lembrou muito o Como Se Fosse a Primeira Vez, com o Adam Sandler e a Drew Barrymore, pelo roteiro e pela linha narrativa do filme. Mas é divertidinho, bonitinho, comédia-dramática-romanticazinha.
Amor
Podem me chamar de insensível, mas nenhuma lágrima sequer teve vontade de cair quando assisti. Não sei se eu não estava no mood no dia, mas não achei nada demais o filme. O roteiro é super previsível e o ritmo é bem lento. Mas os atores são muito, muito bons. A Emmanuelle Riva dá um show, sem dúvida, mas o grande destaque do filme pra mim é o ator francês Jean-Louis Trintignant, que faz o marido. Como ele está bem no filme, impressionante. E não foi indicado nem como melhor ator nem como coadjuvante - acho que a atuação dele foi muito superior a do Alan Arkin, que está concorrendo a ator coadjuvante por Argo, por exemplo.
As Aventuras de Pi
Adorei Life of Pi. Que filme bonito! O negócio é entrar na fantasia do filme e não ligar para os chroma keys toscos, que não fazem diferença no roteiro incrível do filme. A única coisa que não curti mesmo foi a escolha daquele ator loiro para ser o interlocutor do Pi. Achei ele bem fraco e, no meu ponto de vista, foi desnecessário eles colocarem um cara bonitão para fazer esse papel. O foco da história é o Pi contando sobre suas aventuras e não um ator com cara de galã berlinense hipster fazendo caras e bocas.
Minhas apostas para os prêmios principais:
Melhor filme:
Lincoln (mas acho Indomável Sonhadora, As Aventuras de Pi, A Hora Mais Escura melhores)
Melhor ator:
Daniel Day-Lewis (merece!)
Melhor atriz:
Jennifer Lawrence (se eu pudesse escolher, daria para Quvenzhané Wallis, claro)
Melhor ator coadjuvante:
Christoph Waltz (eu ficaria entre ele e o Tommy Lee Jones)
Melhor atriz coadjuvante:
Anne Hathaway (acho que ela leva, apesar de eu não ter achado ninguém que está concorrendo sensacional)
Melhor diretor:
Steven Spielberg (Kathryn Bigelow nem está concorrendo, mas acho que merecia esse Oscar)
Melhor roteiro original:
Quentin Tarantino - Django Livre (merece!)
Melhor roteiro adaptado:
Tony Kushner - Lincoln (se o Oscar fosse meu, Lucy Alibar e Benh Zeitlin, de Indomável Sonhadora, levavam)
Melhor trilha sonora original:
007 - Operação Skyfall (mas eu queria que As Aventuras de Pi ganhasse)
*Os pôsteres que ilustram esse post foram criados pelo designer inglês Dean Walton e podem ser comprados no site dele.
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Talvez você tenha ouvido falar do longa O Homem do Futuro por causa dos protagonistas, Wagner Moura e Alinne Moraes. Ou talvez tenha assistido no YouTube a cena em que os dois cantam Tempo Perdido, da Legião Urbana, usada como uma espécie de viral para divulgar o filme.
O fato é que O Homem do Futuro é a grande aposta da Conspiração Filmes para 2011. Com estreia prevista para 2 de setembro, o longa escrito e dirigido por Claudio Torres (o mesmo de A Mulher Invisível) conta a história de Zero (Wagner), um cientista genial que está insatisfeito com a vida e ama Helena (Alinne) desde os tempos da faculdade de física - onde, 20 anos atrás, sofreu bullying e passou a desacreditar no amor.
Então, o cientista resolve voltar ao passado para consertar isso aí. Se está ruim agora, pode-se mudar lá atrás para tentar melhorar o presente? Zero percebe que as coisas não são bem assim e vai para o passado, depois vai para o futuro, volta pro passado e, finalmente, chega ao presente. Sempre tentando consertar o que fez de errado.
É quase um De Volta para o Futuro versão Capitão Nascimento. A sensação é que Claudio Torres tentou fazer uma adaptação brasileira do filme americano de 1985. Assistindo O Homem do Futuro, você percebe o que o diretor quis fazer e dizer com as cenas, mas percebe também que ele não teve muito êxito.
Mas isso não quer dizer que o filme seja ruim, apenas parece uma ficção científica um pouco amadora. No elenco ainda estão Gabriel Braga Nunes, Maria Luísa Mendonça e Fernando Ceylão. Gabriel, aliás, parece ator de um papel só: as mesmas caras e bocas do vilão Léo, da novela Insensato Coração.
E a boa atuação e o carisma de Wagner e Alinne seguram o espectador no cinema - até mesmo no momento em que você desiste de entender o sentido da história, porque com os buracos no roteiro, é preciso entrar no clima.
O Homem do Futuro: 103 minutos, estreia dia 2 de setembro.
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Eu não leio críticas de filme antes de assisti-lo. Por mais que eu mesmo escreva alguns textos sobre cinema, não leio nada sobre o filme que vou ver. Só procuro saber quem é o diretor, quem são os atores e quanto tempo dura (como bom ansioso, gosto de saber que horas aquilo vai acabar). Com Melancolia não foi diferente. Não quis ler nada sobre o longa do diretor Lars von Trier que, meu deus!, está na boca do povo. Até quem nunca assistiu a um filme do dinamarquês anda por aí falando que ama Lars von Trier.
Mas a minha tática não deu certo dessa vez. De fato, não li nada. Driblei os links no Twitter e as resenhas dos jornais. Não li uma linha sobre Melancolia. O problema é que o filme arrebatou o público. Foi impossível não ouvir na fila do supermercado uma senhora soltar um “que filmão”, um parente comentar que o filme é genial no jantar da família e os amigos dizerem que “é agoniante, porém brilhante”.
A partir disso, comecei a ficar agoniado bem antes da hora. Os dias passavam e eu ainda não tinha assistido Melancolia. Tudo que estava girando em torno do filme, já estava agoniante. Resolvi, então, tirar a noite dessa segunda-feira para ir ao cinema. Laura Alvim, aqui do lado de casa, 21h30, horário bom, enfim, tudo certo. Chamei uns amigos, mas me falaram que seria bom ver sozinho, então lá fui eu.
Fui a pé pro cinema roendo as unhas. Estava muito curioso. “O que tem nesse filme que deixou as pessoas assim?”, pensei enquanto me aproximava da casinha na Vieira Souto. Pouco antes de entrar, ainda pensei: “Depois do filme vou sentar nesse quiosque aqui na frente e ficar olhando o mar por horas”. Eu já estava prevendo tudo.
Meus melhores amigos falaram bem do filme. Não foram críticas de jornalistas ou opiniões aleatórias. Foram opiniões de pessoas que estão perto de mim o tempo todo, me conhecem. Eu tinha tudo para entrar no time deles. Mas não rolou.
Confesso que ainda estou digerindo Melancolia. Pode ser que o momento certo para escrever esse texto seja na semana que vem ou no mês que vem. Mas, assim, com a memória fresquinha, não achei Melancolia isso tudo. Esperava mais - em todos os sentidos. Para deixar claro: eu gostei do filme. Mas de tanto que as pessoas falaram, eu esperei muito mais. Fui munido de expectativa. Talvez não tenha entrado na história como uma pessoa que entrou no cinema mais “crua” sobre o filme.
Saí pensando por que eu estava sentindo isso (ou por que não estava sentindo nada). No caminho para casa, peguei o celular e li as críticas do Globo, da Piauí e da Folha. Não achei nada da Isabela Boscov, da Veja, de quem sou fã e que conta todo o filme nos seus vídeos (anyway, Boscov, te amo). E descobri a briguinha de comadres entre o Eduardo Escorel, da Piauí, e o André Miranda, do Globo.
Na verdade não foi briguinha. André escreveu a crítica do filme no jornal e deu o bonequinho dormindo (resenha, aliás, que eu mais concordei entre as que li). Escorel, um tanto quanto irritado, escreveu uma crítica sobre a crítica de André, desconstruindo praticamente parágrafo por parágrafo publicado no jornal carioca. Se tiverem saco, leiam os dois textos para entenderem melhor. Mas uma das coisas que Escorel fala é que André foi muito “soberbo”. Sem querer me meter nisso aí, mas quem escreve uma crítica desconstruíndo outra crítica, é o quê?
De qualquer maneira, é possível que daqui a um tempo eu ache tudo isso que eu escrevi aqui uma bobeira e esteja amando Melancolia (e Lars von Trier). Até lá, sigo com a minha dúvida: ou o filme foi superestimado, ou as pessoas curtem sofrer com depressão alheia.
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Super 8 não tem estrelas no elenco (talvez a Elle Fanning, que fez Somewhere, de Sofia Coppola, seja a mais famosa), mas conta com uma dupla poderosa por trás: J.J. Abrams e Steven Spielberg. Abrams é o nome de filmes como Armageddon, Missão Imossível 3, Star Trek e da série Lost. Spielberg dispensa apresentações, mas só para constar, tem dois Oscars na carreira.
Exatamente por não ter qualquer prepotência de ser um blockbuster e por esbanjar exageros, o filme se torna uma delícia. A história é passada no final da década de 1970, na pequena cidade fictícia de Lilian, em Ohio, e conta a história de um grupo de amigos (destaque para Riley Griffiths, o gordinho diretor do filme, e Joel Courtney, personagem principal) que estão rodando um filme amador de zumbis e, durante as filmagens, testemunham um grande acidente de trem.
A partir daí, o suspende só cresce. Os meninos começam a ficar intrigados com os fatos que vão descobrindo e tentam desvendar o mistério. Super 8 retrata muito bem a cidade da década de 1970, o que faz com que você entre no clima muito fácil. A iluminação do filme é meio exagerada, assim como as explosões, mas isso só deixa tudo mais gostoso de assistir.
O super trunfo de Super 8 (tente ver em uma sala IMAX, faz toda a diferença) é ser humilde, ingênuo e ter um elenco extraordinário de crianças. A ficção científica nada mais é do que uma aventura nostálgica, pincelada pela amizade e curiosidade dos meninos. Eles são muito sinceros e, adolescentes que são, agem como tal. É divertidíssimo quando dois meninos descobrem que estão gostando da mesma menina, por exemplo.
J.J. Abrams e Steven Spielberg, que começaram a brincar de cinema com uma câmera super 8mm e já fizeram filmes que estão na história do cinema, dessa vez entraram em um mundo diferente do habitual deles e tiveram muito sucesso. Não tem nada de novo, mas não precisa ter. Super 8 é uma delícia de filme, não percam - e nem saiam do cinema antes dos créditos terminarem!
Super 8: 112 minutos, estreia dia 12 de agosto.
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Dizer que A Árvore da Vida conta a história de uma família do interior dos Estados Unidos nos anos 1950 não é mentir, mas também não adianta muita coisa. De uma forma simples, porém absolutamente genial, o diretor Terrence Malick aborda a religião, a relação com a família, o amadurecimento, a origem dos sentimentos e da vida em The Tree of Life, no original (com estreia prevista para 12 de agosto).
Jack (Sean Penn) volta às memórias de sua infância para entender o significado da vida e a existência da fé. Quando criança, Jack (Hunter McCracken faz o jovem Jack) tinha uma relação complicada com o pai, Sr O’Brien (Brad Pitt), que era rígido e opressor. Já com a mãe, Sra O’Brien (Jessica Chastain), sua relação era baseada no amor e na religião.
Seu relacionamento com os dois irmãos mais novos trazem novos sentimentos ao garoto, que experimenta o ciúme, a raiva, o amor, o arrependimento e tenta entender o que Deus tem a ver com isso tudo.
Acompanhado de uma trilha-sonora impactante e de belas imagens sobre a origem do universo, da terra e da vida (aparecem até dinossauros), A Árvore da Vida impressiona pela direção preocupada com os mínimos detalhes e um bonito cuidado com a fotografia de suas cenas - além, é lógico, do roteiro.
Vale ressaltar também as atuações perfeitas de Brad Pitt, que foge do papel de galã que o deu a fama; de Sean Penn, apesar de aparecer pouco, é fundamental para o filme; de Jessica Chastain, linda e frágil, como uma boa dona de casa americana daquela época, e dos três jovens atores que interpretam os filhos do casal, todos muito bem.
Durante quase duas horas e vinte, Terrence (que dirigiu e escreveu o longa) traz à tona a antiga questão: Jack nasceu daquele jeito ou o meio interferiu para ele ser assim? Quando A Árvore da Vida acaba, você fica estirado na poltrona do cinema, sem conseguir se levantar por alguns segundos, apenas digerindo um filme que trata sobre as questões mais complexas das nossas vidas. É um daqueles filmes para ser sentido, não explicado.
A Árvore da Vida: 138 minutos, estreia dia 12 de agosto.