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Talvez você tenha ouvido falar do longa O Homem do Futuro por causa dos protagonistas, Wagner Moura e Alinne Moraes. Ou talvez tenha assistido no YouTube a cena em que os dois cantam Tempo Perdido, da Legião Urbana, usada como uma espécie de viral para divulgar o filme.
O fato é que O Homem do Futuro é a grande aposta da Conspiração Filmes para 2011. Com estreia prevista para 2 de setembro, o longa escrito e dirigido por Claudio Torres (o mesmo de A Mulher Invisível) conta a história de Zero (Wagner), um cientista genial que está insatisfeito com a vida e ama Helena (Alinne) desde os tempos da faculdade de física - onde, 20 anos atrás, sofreu bullying e passou a desacreditar no amor.
Então, o cientista resolve voltar ao passado para consertar isso aí. Se está ruim agora, pode-se mudar lá atrás para tentar melhorar o presente? Zero percebe que as coisas não são bem assim e vai para o passado, depois vai para o futuro, volta pro passado e, finalmente, chega ao presente. Sempre tentando consertar o que fez de errado.
É quase um De Volta para o Futuro versão Capitão Nascimento. A sensação é que Claudio Torres tentou fazer uma adaptação brasileira do filme americano de 1985. Assistindo O Homem do Futuro, você percebe o que o diretor quis fazer e dizer com as cenas, mas percebe também que ele não teve muito êxito.
Mas isso não quer dizer que o filme seja ruim, apenas parece uma ficção científica um pouco amadora. No elenco ainda estão Gabriel Braga Nunes, Maria Luísa Mendonça e Fernando Ceylão. Gabriel, aliás, parece ator de um papel só: as mesmas caras e bocas do vilão Léo, da novela Insensato Coração.
E a boa atuação e o carisma de Wagner e Alinne seguram o espectador no cinema - até mesmo no momento em que você desiste de entender o sentido da história, porque com os buracos no roteiro, é preciso entrar no clima.
O Homem do Futuro: 103 minutos, estreia dia 2 de setembro.
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Eu não leio críticas de filme antes de assisti-lo. Por mais que eu mesmo escreva alguns textos sobre cinema, não leio nada sobre o filme que vou ver. Só procuro saber quem é o diretor, quem são os atores e quanto tempo dura (como bom ansioso, gosto de saber que horas aquilo vai acabar). Com Melancolia não foi diferente. Não quis ler nada sobre o longa do diretor Lars von Trier que, meu deus!, está na boca do povo. Até quem nunca assistiu a um filme do dinamarquês anda por aí falando que ama Lars von Trier.
Mas a minha tática não deu certo dessa vez. De fato, não li nada. Driblei os links no Twitter e as resenhas dos jornais. Não li uma linha sobre Melancolia. O problema é que o filme arrebatou o público. Foi impossível não ouvir na fila do supermercado uma senhora soltar um “que filmão”, um parente comentar que o filme é genial no jantar da família e os amigos dizerem que “é agoniante, porém brilhante”.
A partir disso, comecei a ficar agoniado bem antes da hora. Os dias passavam e eu ainda não tinha assistido Melancolia. Tudo que estava girando em torno do filme, já estava agoniante. Resolvi, então, tirar a noite dessa segunda-feira para ir ao cinema. Laura Alvim, aqui do lado de casa, 21h30, horário bom, enfim, tudo certo. Chamei uns amigos, mas me falaram que seria bom ver sozinho, então lá fui eu.
Fui a pé pro cinema roendo as unhas. Estava muito curioso. “O que tem nesse filme que deixou as pessoas assim?”, pensei enquanto me aproximava da casinha na Vieira Souto. Pouco antes de entrar, ainda pensei: “Depois do filme vou sentar nesse quiosque aqui na frente e ficar olhando o mar por horas”. Eu já estava prevendo tudo.
Meus melhores amigos falaram bem do filme. Não foram críticas de jornalistas ou opiniões aleatórias. Foram opiniões de pessoas que estão perto de mim o tempo todo, me conhecem. Eu tinha tudo para entrar no time deles. Mas não rolou.
Confesso que ainda estou digerindo Melancolia. Pode ser que o momento certo para escrever esse texto seja na semana que vem ou no mês que vem. Mas, assim, com a memória fresquinha, não achei Melancolia isso tudo. Esperava mais - em todos os sentidos. Para deixar claro: eu gostei do filme. Mas de tanto que as pessoas falaram, eu esperei muito mais. Fui munido de expectativa. Talvez não tenha entrado na história como uma pessoa que entrou no cinema mais “crua” sobre o filme.
Saí pensando por que eu estava sentindo isso (ou por que não estava sentindo nada). No caminho para casa, peguei o celular e li as críticas do Globo, da Piauí e da Folha. Não achei nada da Isabela Boscov, da Veja, de quem sou fã e que conta todo o filme nos seus vídeos (anyway, Boscov, te amo). E descobri a briguinha de comadres entre o Eduardo Escorel, da Piauí, e o André Miranda, do Globo.
Na verdade não foi briguinha. André escreveu a crítica do filme no jornal e deu o bonequinho dormindo (resenha, aliás, que eu mais concordei entre as que li). Escorel, um tanto quanto irritado, escreveu uma crítica sobre a crítica de André, desconstruindo praticamente parágrafo por parágrafo publicado no jornal carioca. Se tiverem saco, leiam os dois textos para entenderem melhor. Mas uma das coisas que Escorel fala é que André foi muito “soberbo”. Sem querer me meter nisso aí, mas quem escreve uma crítica desconstruíndo outra crítica, é o quê?
De qualquer maneira, é possível que daqui a um tempo eu ache tudo isso que eu escrevi aqui uma bobeira e esteja amando Melancolia (e Lars von Trier). Até lá, sigo com a minha dúvida: ou o filme foi superestimado, ou as pessoas curtem sofrer com depressão alheia.
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Super 8 não tem estrelas no elenco (talvez a Elle Fanning, que fez Somewhere, de Sofia Coppola, seja a mais famosa), mas conta com uma dupla poderosa por trás: J.J. Abrams e Steven Spielberg. Abrams é o nome de filmes como Armageddon, Missão Imossível 3, Star Trek e da série Lost. Spielberg dispensa apresentações, mas só para constar, tem dois Oscars na carreira.
Exatamente por não ter qualquer prepotência de ser um blockbuster e por esbanjar exageros, o filme se torna uma delícia. A história é passada no final da década de 1970, na pequena cidade fictícia de Lilian, em Ohio, e conta a história de um grupo de amigos (destaque para Riley Griffiths, o gordinho diretor do filme, e Joel Courtney, personagem principal) que estão rodando um filme amador de zumbis e, durante as filmagens, testemunham um grande acidente de trem.
A partir daí, o suspende só cresce. Os meninos começam a ficar intrigados com os fatos que vão descobrindo e tentam desvendar o mistério. Super 8 retrata muito bem a cidade da década de 1970, o que faz com que você entre no clima muito fácil. A iluminação do filme é meio exagerada, assim como as explosões, mas isso só deixa tudo mais gostoso de assistir.
O super trunfo de Super 8 (tente ver em uma sala IMAX, faz toda a diferença) é ser humilde, ingênuo e ter um elenco extraordinário de crianças. A ficção científica nada mais é do que uma aventura nostálgica, pincelada pela amizade e curiosidade dos meninos. Eles são muito sinceros e, adolescentes que são, agem como tal. É divertidíssimo quando dois meninos descobrem que estão gostando da mesma menina, por exemplo.
J.J. Abrams e Steven Spielberg, que começaram a brincar de cinema com uma câmera super 8mm e já fizeram filmes que estão na história do cinema, dessa vez entraram em um mundo diferente do habitual deles e tiveram muito sucesso. Não tem nada de novo, mas não precisa ter. Super 8 é uma delícia de filme, não percam - e nem saiam do cinema antes dos créditos terminarem!
Super 8: 112 minutos, estreia dia 12 de agosto.
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Dizer que A Árvore da Vida conta a história de uma família do interior dos Estados Unidos nos anos 1950 não é mentir, mas também não adianta muita coisa. De uma forma simples, porém absolutamente genial, o diretor Terrence Malick aborda a religião, a relação com a família, o amadurecimento, a origem dos sentimentos e da vida em The Tree of Life, no original (com estreia prevista para 12 de agosto).
Jack (Sean Penn) volta às memórias de sua infância para entender o significado da vida e a existência da fé. Quando criança, Jack (Hunter McCracken faz o jovem Jack) tinha uma relação complicada com o pai, Sr O’Brien (Brad Pitt), que era rígido e opressor. Já com a mãe, Sra O’Brien (Jessica Chastain), sua relação era baseada no amor e na religião.
Seu relacionamento com os dois irmãos mais novos trazem novos sentimentos ao garoto, que experimenta o ciúme, a raiva, o amor, o arrependimento e tenta entender o que Deus tem a ver com isso tudo.
Acompanhado de uma trilha-sonora impactante e de belas imagens sobre a origem do universo, da terra e da vida (aparecem até dinossauros), A Árvore da Vida impressiona pela direção preocupada com os mínimos detalhes e um bonito cuidado com a fotografia de suas cenas - além, é lógico, do roteiro.
Vale ressaltar também as atuações perfeitas de Brad Pitt, que foge do papel de galã que o deu a fama; de Sean Penn, apesar de aparecer pouco, é fundamental para o filme; de Jessica Chastain, linda e frágil, como uma boa dona de casa americana daquela época, e dos três jovens atores que interpretam os filhos do casal, todos muito bem.
Durante quase duas horas e vinte, Terrence (que dirigiu e escreveu o longa) traz à tona a antiga questão: Jack nasceu daquele jeito ou o meio interferiu para ele ser assim? Quando A Árvore da Vida acaba, você fica estirado na poltrona do cinema, sem conseguir se levantar por alguns segundos, apenas digerindo um filme que trata sobre as questões mais complexas das nossas vidas. É um daqueles filmes para ser sentido, não explicado.
A Árvore da Vida: 138 minutos, estreia dia 12 de agosto.
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Eu não era muito fã de desenho animado até assistir X-Men no SBT, lá pros meus 10 anos. Passava sempre ao meio dia, na hora em que eu almoça para ir pro colégio. E eu só saia de casa depois que o episódio terminasse, meio dia e meia - não adiantava a empregada ameaçar ligar para a minha mãe.
X-Men era o único desenho que eu realmente amava. Sabia algumas falas de cor e sempre torcia para os meus favoritos, apesar de já ter visto todos os episódios e saber o que ia acontecer no final. Nos tempos livres, eu não desenhava casas e árvores, eu desenhava o Wolverine com as garras.
Nas férias, eu não queria ir para Búzios, Itaipava ou Disney. Eu queria ir mesmo era para o Instituto Xavier, onde os mutantes moravam e estudavam. Hogwarts é uma espécie de Mansão X da nova geração. Imagina poder conviver com outros mutantes, ser amigo, compartilhar poderes e treinar nossas habilidades em um lugar especialmente criado para isso? Sonho!
Eu adorava o Ciclope, mas achava que aquele mimimi todo entre ele, a Jean e o Wolverine tiravam a atenção do que realmente importava: as lutas. Por isso, passei a ser fã do Magneto. Eu achava o máximo o cara controlar o metal. Mas o poder que eu mais gostava era o da Jean. Eu queria muito conseguir controlar as mentes – e olha que eu nem sabia que ela era a mutante mais poderosa do mundo.
Olhar para a maçaneta e, com o poder da mente, abrir a porta era demais na minha imaginação. Fazer as coisas levitarem, deduzir questões da prova de matemática e mudar o canal da TV com a força do pensamento também eram desejos constantes. Eu queria ter o poder da Jean, sem dúvida. Era o que melhor se encaixava na minha vida.
X-Men sempre me seduziu porque era uma turma de amigos com superpoderes, mas todos eram normais. Se vestiam como qualquer coisa pessoa (a não ser nas batalhas, mas aí era uma ocasião especial!), tinham famílias, problemas pessoais e dificuldades na escola. Eu me achava igual a eles, só faltava o superpoder. Confesso que às vezes até achava que controlava algumas coisas com o poder da mente, mas aí as pessoas já vão achar que é loucura demais.
Ontem, domingo, assisti ao filme X-Men First Class. Amei, lógico. Fiquei o filme todo roendo a unha, acompanhando, sofrendo e comemorando com a história. Até hoje, aos 21, eu ainda adoro os personagens, e ver pessoas de verdade interpretando os mutantes torna tudo muito mais real. Pra mim, ninguém interpretou melhor o Magneto do que Ian McKellen (quem não se lembra da cena dele salvando os mutantes presos em um comboio?), Halle Berry foi a melhor Tempestade dos cinemas e, agora, eu gostei muito do James McAvoy como Professor Xavier. No fundo, quando se trata de X-Men, eu ainda me sinto uma criança.