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O meu problema com “Melancolia”

Eu não leio críticas de filme antes de assisti-lo. Por mais que eu mesmo escreva alguns textos sobre cinema, não leio nada sobre o filme que vou ver. Só procuro saber quem é o diretor, quem são os atores e quanto tempo dura (como bom ansioso, gosto de saber que horas aquilo vai acabar). Com Melancolia não foi diferente. Não quis ler nada sobre o longa do diretor Lars von Trier que, meu deus!, está na boca do povo. Até quem nunca assistiu a um filme do dinamarquês anda por aí falando que ama Lars von Trier.

Mas a minha tática não deu certo dessa vez. De fato, não li nada. Driblei os links no Twitter e as resenhas dos jornais. Não li uma linha sobre Melancolia. O problema é que o filme arrebatou o público. Foi impossível não ouvir na fila do supermercado uma senhora soltar um “que filmão”, um parente comentar que o filme é genial no jantar da família e os amigos dizerem que “é agoniante, porém brilhante”.

A partir disso, comecei a ficar agoniado bem antes da hora. Os dias passavam e eu ainda não tinha assistido Melancolia. Tudo que estava girando em torno do filme, já estava agoniante. Resolvi, então, tirar a noite dessa segunda-feira para ir ao cinema. Laura Alvim, aqui do lado de casa, 21h30, horário bom, enfim, tudo certo. Chamei uns amigos, mas me falaram que seria bom ver sozinho, então lá fui eu.

Fui a pé pro cinema roendo as unhas. Estava muito curioso. “O que tem nesse filme que deixou as pessoas assim?”, pensei enquanto me aproximava da casinha na Vieira Souto. Pouco antes de entrar, ainda pensei: “Depois do filme vou sentar nesse quiosque aqui na frente e ficar olhando o mar por horas”. Eu já estava prevendo tudo.

Meus melhores amigos falaram bem do filme. Não foram críticas de jornalistas ou opiniões aleatórias. Foram opiniões de pessoas que estão perto de mim o tempo todo, me conhecem. Eu tinha tudo para entrar no time deles. Mas não rolou.

Confesso que ainda estou digerindo Melancolia. Pode ser que o momento certo para escrever esse texto seja na semana que vem ou no mês que vem. Mas, assim, com a memória fresquinha, não achei Melancolia isso tudo. Esperava mais - em todos os sentidos. Para deixar claro: eu gostei do filme. Mas de tanto que as pessoas falaram, eu esperei muito mais. Fui munido de expectativa. Talvez não tenha entrado na história como uma pessoa que entrou no cinema mais “crua” sobre o filme.

Saí pensando por que eu estava sentindo isso (ou por que não estava sentindo nada). No caminho para casa, peguei o celular e li as críticas do Globo, da Piauí e da Folha. Não achei nada da Isabela Boscov, da Veja, de quem sou fã e que conta todo o filme nos seus vídeos (anyway, Boscov, te amo). E descobri a briguinha de comadres entre o Eduardo Escorel, da Piauí, e o André Miranda, do Globo.

Na verdade não foi briguinha. André escreveu a crítica do filme no jornal e deu o bonequinho dormindo (resenha, aliás, que eu mais concordei entre as que li). Escorel, um tanto quanto irritado, escreveu uma crítica sobre a crítica de André, desconstruindo praticamente parágrafo por parágrafo publicado no jornal carioca. Se tiverem saco, leiam os dois textos para entenderem melhor. Mas uma das coisas que Escorel fala é que André foi muito “soberbo”. Sem querer me meter nisso aí, mas quem escreve uma crítica desconstruíndo outra crítica, é o quê?

De qualquer maneira, é possível que daqui a um tempo eu ache tudo isso que eu escrevi aqui uma bobeira e esteja amando Melancolia (e Lars von Trier). Até lá, sigo com a minha dúvida: ou o filme foi superestimado, ou as pessoas curtem sofrer com depressão alheia.

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